ECONOMIA E GERENCIAMENTO DAS FLORESTAS TROPICAIS
NUM ANO MUITO FELIZ PARA FACULDADE DE ECONOMIA SÃO LUÍS, QUE OBTEVE NOTA MEC CONCEITO A:
Nos idos anos 90 o S.O.S. Mata Atlântica me semeou, isso se deu no período em que pude participar como voluntária. Mais foi o Coordenador de Monografia da Faculdade São Luís, o Economista Prof Eduardo Mecktarian, que passou para eu ler a coluna da FSP 24/5/97- B2, escrita pelo Prof Dr. José Eli da Veiga, sobre ECONOMIA ECOLÓGICA: Cientistas criam novos modelos para analisar impacto do mercado sobre o Meio Ambiente "bens gratuitos". Esse texto (ao final da bibliografia deste trabalho) foi o "start" para mim!
E o Prof Dr. José Eli da Veiga, gentilmente, na época, me atendeu na FEA-USP (mesmo com agenda lotada), e depois que eu expus o que pretendia ele me disse: "eu não posso ajudá-la mais sei quem pode" e me encaminhou para conversar com Celso Sekiguchi, que trabalhava, no IPT-USP e, também, lá fui bem recebida. Logo após eu expor o que pretendia, o Celso Sekiguchi que era , na época, Diretor da Associação Brasileira da Economia Ecológica, de forma fantástica ampliou os horizontes, cedeu-me rico material para os estudos e ainda indicou-me outras pessoas.
Também tive oportunidade de conversar com Engenheiros Florestais de Empresas de Papel e Celulose que, na época, me indicaram a Sociedade Brasileira de Silvicultura, que contribui muito com o desenvolvimento da Monografia.
E, completou essa rede de sustentabilidade, colaborando comigo, e eu não podia deixar de ter gratidão profunda pelo Orientador Prof Mestre Cassiano Ricardo Martinez Bovo, que foi primoroso nas correções e sugestões. Porque depois do Coordenador de Monografia, o Prof Cassino foi o único que aceitou me orientar no tema INOVADOR, e estávamos em plena RIO+5, e recebemos muitas críticas desestimulantes por desenvolver o tema, que muitos chamaram de balela....
Enfim, passaram-se 20 anos e estamos prestes a concretizar PLANTANDO RIOS - DO MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE: http://www.car.gov.br/plantadores-rios/.
E, negócios sustentáveis estão se ampliando cada vez mais, como por exemplo: http://cebds.org/
O negócio da SILVICULTURA é forte e, acerca de dez anos integrado à agricultura e a pecuária, potencializando o Agronegócio, entre tantos outros produtos florestais que a SILVICULTURA fornece, e assim não desmatando, porque o cultivo de florestas plantadas atende as demandas das necessidades humanas.
Quanto as FLONAS-FLORESTAS NACIONAIS, estão em práticas de manejo sustentável: LEGAIS e Madeira CERTIFICADA!
No entanto, muitas, mais muitas soluções ainda são NECESSÁRIAS, SENÃO IMPRESCINDÍVEIS, e surgirão, inclusive, para o terrível problema das queimadas!!!
Aos poucos, a concretização REAL DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL! DO BRASIL SUSTENTÁVEL!
Enfim, eu tive colaboradores de tino e capacidade, que me construíram, e sem dúvida, sem os colaboradores eu não teria realizado a Monografia!
FACULDADE DE
ECONOMIA SÃO LUÍS
ECONOMIA
ECOLÓGICA:
GERENCIAMENTO DAS FLORESTAS TROPICAIS
Elaine da Silva
Primeiro lugar
no I Prêmio Banco Real/São Luís de Monografia 1997, da Faculdade de Economia
São Luis.
Terceiro lugar
no VIII Prêmio Alfred Marshall do Instituto Liberal de São Paulo/Nestlé de
Monografia.
São Paulo
1.997
FACULDADE DE
ECONOMIA SÃO LUÍS
ECONOMIA
ECOLÓGICA:
GERENCIAMENTO DAS FLORESTAS TROPICAIS
Aluna: Elaine
da Silva
Professor
Orientador: Cassiano Ricardo Martinez Bovo
Monografia
apresentada à Faculdade de Economia São Luís, como requisito para obtenção do
grau de Bacharel em Ciências Econômicas.
São Paulo
1.997
SINOPSE
Este estudo foi elaborado com a finalidade de
apresentar algumas das etapas pelas quais o desenvolvimento dos empreendimentos
florestais e/ou recursos naturais e renováveis promoveram progresso para poucos
ultrapassando, inclusive, os limites sustentáveis do meio ambiente pelo uso
inadequado dos recursos. Isto gerou escassez das matérias-primas, o
empobrecimento dos solos, dos ares, das águas e da biodiversidade;
consequentemente das pessoas. Esses cenários degradados são vistos em mais da
metade do Planeta Terra.
Insistimos no uso sustentável dos recursos naturais
e renováveis ainda existente, na adoção das
atitudes pró-ambientais e de técnicas adequadas, com enfoque especial as
florestas tropicais, visto que a natureza é por
excelência fornecedora de grande parte, senão de todas, de nossas funções
de bem-estar.
A ciência da economia ecológica é o renascimento da
economia, e tem sido considerada um dos paradigmas para o século XXI.
No Brasil, o tema economia ecológica é ainda
inovador, engloba diversas áreas, e é transdiciplinar. Um dos temas deste conjunto de novos
conhecimentos é o desenvolvimento sustentável dos recursos naturais e
renováveis, que vem gradativamente, atingindo os meios acadêmicos e
empresariais do país e do mundo.
Estamos utilizando mecanismos orientativos e
normativos específicos para o setor florestal, utilizados pelos países de
primeiro mundo como Alemanha e Inglaterra e tem se expandido para o Mercado
Comum Europeu e Estados Unidos. Eles buscam no ecodesenvolvimento a prática do
ecogerenciamento que cria a ecoqualidade aos ecossistemas.
Com o mesmo objetivo foi criado o inventário do meio
ambiente, através do qual, procura-se alcançar a meta da ecoeficiência com o
ecobalanço, que analisa impactos, contabiliza e elabora planejamentos de
capital futuros, tendo assessoramento da ecotecnologia que gera econegócios
para os ecomercados, produzindo ecoprodutos certificados com ecorótulos,
transformados pela ecoeconomia, ou seja, economia ecológica, também chamada de
economia sustentável e economia ambiental (repetimos sucessivamente
“eco” para provocar altos ecos em todos âmbitos).
AGRADECIMENTOS
Eu agradeço a DEUS pela bênção da criação da
Natureza, que nos é dada gratuitamente, e que sejamos perdoados por não
fazermos bom uso para o progresso, crescimento e desenvolvimento geral de todo
Planeta Terra.
Meus agradecimentos são todos especiais, pois esta
monografia obteve a cooperação de muitas pessoas, empresas e bibliotecas, todas
importantes para realização deste trabalho.
Aos meus pais, Edmar e Wandercy, e irmão, Edison, por me terem presenteado com
os livros necessários para o desenvolvimento do tema.
À Roberto Moura, que me presenteou com as gravações
de todos os “scanners” que estão no trabalho, assim como a Claudia Regina
Cândido pelas primeiras revisões dos textos.
Ao Diretor Rubens Garlipp, ao Engenheiro Florestal
Rui Gimenez e equipe de trabalho, da SBS - Sociedade Brasileira de
Silvicultura, assim como ao Consultor de Reflorestamento das Empresas Klabin,
Evaristo M. Lopes, que cooperaram com
muitas orientações e fornecimento de materiais enriquecedores do setor
florestal.
A presteza dos integrantes da Associação Brasileira
de Economia Ecológica o Presidente Carlos Eduardo F. Young, o Presidente do
Conselho Consultivo e Fiscal Peter H. May e o Diretor Executivo Celso
Sekigushi, que além de ampliar os horizontes forneceram, também, riquíssimo
material sobre o tema.
A Zodya Pereira, a Deborah Epelmann e a José Gentil
Sanchez Mendes, com as atividades holísticas que foram muito preciosas para a visão do século XXI.
Ao meu Professor Orientador Cassiano Ricardo Martines Bovo, pela
dedicação e sugestões preciosas para o desenvolvimento da monografia, assim
como ao paciente Coordenador de Monografias
Professor Eduardo Mekitarian, que incentivou o desenvolvimento do tema
desde ínicio, como também aos Professores Antonio Dirceu Marques e Humberto
Russo, que me apoiaram na conclusão do curso de Ciências Econômicas.
Ao Coordenador de Microinformática Humberto Russo
Jr., assim como a funcionária Heloisa Helena Ribeiro e aos funcionários Paulo
A. Batello, Francisco B. Garcia Jr., pela presteza no auxílio técnico do
laboratório de informática no primeiro semestre.
A Hermes Pereira Barolli, Ana Neide Viriato Costa e
Rosangela Medeiros Costa pela utilização de todo aparato de microinformática, e
presteza no desenvolvimento da monografia no segundo semestre.
A Edméa Garcia Neiva, consultora especialista em
cursos na área de redação e gramática, pela revisão geral e final do trabalho
monográfico.
Ao engenheiro florestal, Alexandre Binelli pela revisão geral e final da monografia.
DEDICATÓRIA
Dedico este
trabalho às gerações do presente, que buscam condições condignas para subsistir
à baixa qualidade de vida, pois esse é o
cenário de mais da metade do Planeta Terra. A degradação da natureza é a
degradação do próprio homem.
Em prol do
desenvolvimento social, econômico e ambiental que as florestas tropicais
oferecem, recriando em toda parte condições sustentáveis e dignas para as
gerações futuras, sendo sem dúvida, um bem-estar ecológico e economicamente globais.
LISTA DE ANEXOS
1.Segundo PND - Plano Nacional de
Desenvolvimento
2. Declaração
da Conferência do Meio Ambiente Humano de Estocolmo/72
3.Tratados
Ambientais.
4.RIO+5 - Minuta da Carta da Terra e do
Povo
5.Declaração da Conferência do Meio
Ambiente e Desenvolvimento do Rio de
Janeiro/92
6.Os dez mandamentos da Empresa Verde
7.Princípios
de Gerenciamento Ambiental da Câmara Internacional
do Comércio
8.FSC-Conselho de Manejo das Florestas
Tropicais (P&C)
9.Agenda 21 - Um breve
histórico
10.Série ISO 14000 - um breve
histórico
11.Protocolo de Montreal - um breve
histórico
12.OIMT - Organização
Internacional de Madeira das Florestas Tropicais - Manejo e Critérios para
Sustentabilidade das
Florestas
13.Sistema CELOS de manejo florestal
14.Contabilidade Ecológica
15.Sistema
de Contas Nacionais Ecológico
LISTA DE ILUSTRAÇÕES E GRÁFICOS
Capítulo 1
1.As três zonas de
transição
Capítulo 2
2.Oito motivos para as empresas
protegerem o meio ambiente
3.Resultados do Plano de Ação das
Florestas Tropicais-PAFT
Capítulo 3
4.Gráfico sobre a exploração inadequada
das florestas tropicais e os percentuais
negativos
5.O efeito estufa afeta diferentes níveis
dos ecossistemas
6.A integração econômica no meio
florestal
7.O aumento progressivo das áreas verdes no
país
8.Esquema analítico do plano de
desenvolvimento florestal sustentável
9.As
vantagens do modelo alternativo de manejo florestal
SUMÁRIO
Introdução
1 Economia x Industrialização x Ecologia
1.2 Economicidade e o meio
ambiente
2. Gerenciamento
ecológico
2.1 Desenvolvimento
sustentável
2.2 O desafio global em busca do
desenvolvimento sustentável
2.3 Brasil e o desafio do desenvolvimento
sustentável
2.3.1 O Brasil e os temas
globais
2.3.2 O Papel da União no desafio da gestão
ambiental
3. As atividades produtivas das florestas
tropicais e o gerenciamento
dos
econegócios
3.1 Os desflorestamentos e as queimadas no
Brasil
3.2 Economia Florestal
3.3 Estudos de viabilidade
econômico-ecológico no resflorestamento
do
Brasil
3.4 O Setor florestal: produtividade x meio
ambiente
4. O meio ambiente e o gerenciamento
ecológico
4.1 A quarta onda: economia
ecológica
4.2 O futuro das florestas tropicais
Considerações
Finais
Bibliografia
INTRODUÇÃO
O estudo elaborado através de pesquisa
bibliográfica, disserta sobre economia ecológica, com enfoque no gerenciamento
das florestas tropicais. Tem a finalidade de apresentar os processos de
transição econômicos do desenvolvimento insustentável e a renovação conceitual
para criação de novos processos, atitudes e mecanismos econômicos sustentáveis
para a economia ecológica do século XXI. O trabalho monográfico está organizado
em quatro unidades e a conclusão:
Na primeira unidade, estabelecemos
qual a origem dos fatos constatados desde a década de 60, que o desenvolvimento
desordenado da industrialização (sem princípios nem critérios) transformou nas
últimas três décadas o Planeta Terra em um “Mundo
Terceiro Mundo”, ou seja, mais da metade do planeta tem hoje
características do terceiro mundo: pobre
e triste. No entanto, há cerca de uma década alternativas de viabilidade
econômica têm surgido, o que consideramos ser o renascimento da economia.
Na segunda unidade, desenvolvemos os
conceitos interligados e interdependentes da economia ecológica, o processo de
criação dos instrumentos e/ou mecanismos legais e documentos importantes,
formalizados em convenções e conferências na busca de um desenvolvimento
sustentável, desafios de âmbito nacional e global para o século XXI.
Na terceira unidade, informamos
primeiramente que falar de florestas é assunto abrangente e profundo. Colhemos,
pois, dados que podem esclarecer sobre planos, políticas, pesquisas,
estratégias, métodos e produção sustentável, citando alguns como os projetos
voltados às florestas tropicais e a economicidade (re)criada em muitas regiões
do país e do mundo.
Na quarta unidade, apresentamos a
redefinição de riqueza corporativa que surgiu a partir da (re)conceitualização
dos processos econômicos no primeiro mundo. Empresas que adotaram de forma
gradual as novas estratégias hoje investem na proteção ambiental para garantir
suas fontes de capital futuro, estão criando os mercados sustentáveis, que
seguem as premissas e acordos dos mecanismos e normas desenvolvidas para a
(re)criação do bem-estar do Planeta Terra. Dentre eles citamos: FSC, OIMT,
Série ISO 14000, Agenda 21, Empresas Certificadoras, Legiflor, CERFLOR.
Nas considerações finais,
sintetizamos o processo de desenvolvimento
e crescimento social, a economicidade que as florestas do mundo
proporcionam, oferecendo-nos qualidade de vida, além da beleza paisagística.
1 ECONOMIA x INDUSTRIALIZAÇÃO x ECOLOGIA
“Se
por acaso passares muito tempo no assédio de uma cidade que pretendes tomar e
dominar como senhor, nem por isso deverás
destruir com o machado as árvores
que o cercam, são estas mesmas árvores que te
nutrem, assim não deves abatê-las.
Sim
as árvores são o próprio homem.”
(DEUTERÔNOMIO XX)[1]
O
Planeta Terra está um Mundo Terceiro
Mundo,[2]
que Cristovam Buarque define: “nosso
século terminou antes, caracterizado como Triste e Pobre, e explica por que: a)
o século XIX foi visto como um jardim em cultivo, no que se refere a
desenvolvimento e tecnologia; b) o século XX foi visto como a porta à
realização dos ideais ao avanço científico e tecnológico, que superaram,
inclusive, as expectativas e c) o século XXI sempre foi visto como o
futurístico, um futuro onde haveria unidade e paz mundial” (Burzstyn,
1993:58).
Parece-nos desafiante a unidade e paz
mundial. Nos anos 90, porém, “os países chamados de Primeiro Mundo
assumiram a responsabilidade pelos danos ambientais e a visão da globalização bem-sucedida irá governar a política em que todos ganham e
que pretende construir um Planeta eqüitativo, culturalmente diversificado,
ecologicamente harmonioso e, portanto, pacífico” (Hazel Henderson,
1991:54). Eles buscam exatamente esta nova fórmula, para chegar no contexto do desenvolvimento sustentável[3] para o Planeta Terra.
Buarque expõe como os estudiosos
caracterizam os acontecimentos deste século: a) Para ciência, o século XX
começou a terminar em 1945 com a euforia do saber da primeira bomba atômica e
b) para o desenvolvimento econômico, o século começou a terminar no final da
década de 60, com a percepção de seus limites de desenvolvimento e de seus
riscos, provocando conseqüências muitas vezes irreversíveis devido ao uso
inadequado dos recursos naturais e renováveis.
[1] In: Fábio Nusdeo, Desenvolvimento e Ecologia, 1975.
[2] O termo
Mundo Terceiro Mundo significa a degradação ambiental e humana do Planeta
Terra, que tomou dimensões não esperadas, logo lembram os países de Terceiro
Mundo (Buarque, Cristovam. 1993:58)
[3]
Desenvolvimento Sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem
comprometer as possibilidades das gerações futuras atenderem as suas próprias
necessidades (Brundtland, Gro Harlem.1991:46)
“O desejo do século XX ser um mundo rico
integrado globalmente trouxe sentimentos de fracasso, uma vez que a Terra em
seu conjunto de final de século é um planeta subdesenvolvido, em que a
realização do crescimento econômico criou um Mundo Único e Pobre, dividido
entre pobreza e riqueza, atraso e modernidade, enfim um Planeta Terceiro Mundo”
(Bursztyn, 1993:58).
O desenvolvimento, o progresso e
crescimento econômico desordenados da industrialização são fatores marcantes na
história do planeta. O grupo de intelectuais, homens de empresa e da ciência do
Continente europeu e da América do Norte, aos quais uniram-se, também,
estudiosos da Ásia, África e América Latina foram pioneiros no reexame sobre a
industrialização e o meio ambiente, que sinalizavam riscos nos fins da década
de 60 no primeiro mundo. O grupo se reunia na Academia dei Lincei, em Roma e
por esse motivo, ficou conhecido como “Clube de Roma”.
O “Clube de Roma” em 1968
resolveu empreender, com métodos que a
cibernética[1] e
as ciências sociais (elementos que dispunham) para um exame a profundo das
inter-relações entre crescimento da população, desenvolvimento industrial e
agrícola, criando uma perspectiva até
meados do século XXI.
O
Grupo, de organização informal, tinha a finalidade de promover o entendimento
dos componentes variados e interdependentes: econômicos, políticos, naturais e
sociais, que formam o sistema global em
que vivemos, como também, chamar a atenção dos que são responsáveis por
decisões de alto alcance, e do público do mundo inteiro, para aquele novo modo
de entender, e, assim promover novas iniciativas e planos de ação,[2]
buscando desta forma retornar ao ciclo de desenvolvimento de forma adequada aos
ecossistemas naturais e humano.
Apesar de a organização informal,
Meadows esclarece: “que o grupo tinha a
profunda convicção de que os grandes problemas que desafiam a humanidade são de
tanta complexidade, e são tão inter-relacionados, que as instituições e o
planos de ação tradicionais, já não são capazes de superá-los, nem mesmo de
enfrentá-los em seu conjunto” (Meadows,1973:13).
[1]
Cibernética é a ciência que estuda as comunicações e o sistema de controle não
só nos organismos vivos, como também nas máquinas.
[2] Meadows
et. al, 1973:12
O projeto
ambicioso sobre o “Dilema da Humanidade”(1968), era examinar a
problemática que atingia os povos de todas as nações: “pobreza em meio
à abundância; deterioração do meio ambiente;
perda de confiança nas instituições; expansão urbana descontrolada;
insegurança de emprego; alienação da
juventude; rejeição de valores tradicionais; inflação e outros transtornos
econômicos e monetários”.[1]
O Clube de Roma, em 1972, publicou o
trabalho de três anos de pesquisa intitulado “Limites do Crescimento”, nele
apresentavam perspectivas estarrecedoras sobre os danos ambientais, sem querer
ser alarmistas, com a intenção de despertar a atenção para a condução humana no
trato inadequado do meio ambiente. Como vemos hoje, foi impossível impedir a ocorrência de catástrofes ecológicas.
Diante de todos os elementos da problemática mundial, com firme propósito de
reordenação econômica e ecológica, a Organização das Nações Unidas-ONU,
realizou em 1972, a primeira Conferência sobre o Meio Humano, na cidade de Estocolmo. O
resultado desse encontro foi a Declaração
de Princípios de Estocolmo[2]
com 26 itens, que de forma generalista traduzimos como: “O homem tem direito ao desfrute do meio ambiente e o dever solene de
proteger e melhorar esse meio para as gerações do presente e do futuro. Os
princípios discorrem também, da necessidade de políticas ambientais para evitar
o esgotamento dos recursos naturais e crises nos ecossistemas natural e humano,
já que são interligados e interdependentes” (Nusdeo, 1975:29).
Parecendo ser vital cuidar da
natureza em todo o mundo, nesse mesmo período no Brasil, ficou decidido
criar-se um orgão responsável para as atividades da área ambiental. Desta
forma, o Governo Federal promulgou em 30 de outubro de 1973 o decreto 73.030,
criando a Secretaria Especial do Meio
Ambiente-SEMA, orgão autônomo, que por uma década desempenhou muito mais uma
função de acompanhamento do que
propriamente normatização e regularização do uso adequado dos recursos naturais.
Tal ação ficou dividida para os Ministérios existentes acumulando em suas
atividades específicas a área ambiental, o que resultou na deficiente
administração do meio ambiente[3].
Um instrumento legal criado para apoiar a
proteção ambiental foi o II Plano Nacional de Desenvolvimento-PND, aprovado em
4 de dezembro de 1974, através da lei
[1] Ibid.,
11
[2] A
declaração da Conferência de Estocolmo/72
é anexo deste trabalho
monográfico.
[3] Nusdeo,
loc. cit., 110
n.
6.151, que trouxe diretrizes e prioridades à contenção do avanço da poluição, e
preservação do meio ambiente o qual confere destaque na preocupação com a
industrialização desordenada[1].
Na visão de Nusdeo, o tripé
desenvolvimento X industrialização X ecologia, analisados economicamente,
sinalizaram os limites de sustentação do meio ambiente na década de 60 nos
países de primeiro mundo, provocando impactos sociais pelos problemas de uma
sociedade pós-industrial[2].
Analisados sob o ponto de vista ecológico: essa mesma sociedade considerava o
meio ambiente um custo adicional que, embora nem sempre expresso em moeda, não
deixa de ser quantificável ou pelo menos avaliável[3].
Das inúmeras publicações surgidas do
pioneirismo do Clube de Roma duas obras temos a ressaltar. O livro de Alvin
Toffer, de 1980, publicado sob o título de A
Terceira Onda, apresenta a visão de ondas econômicas, termo utilizado pelo
autor, demonstrando os estágios de evolução sócio-político-econômico, como
também, manifesta uma crescente preocupação com o equilíbrio e a
sustentabilidade mundial (Maynard & Mehrtens, 1993:23). E a obra de Ignacy
Sachs, publicada também em 1980, sob o título de Estratégias para o Ecodesenvolvimento, que apresenta princípios
para a prática do desenvolvimento de forma harmônica com a ecologia, com base
na valoração ambiental para garantir condições ao menos sustentáveis para as
gerações futuras (Sachs, 1986:155..16).
Foram obras que causaram impactos
numa sociedade pós-industrial do chamado primeiro mundo, muitos foram os
alertas aos cuidados emergentes com o meio ambiente. Estamos percorrendo uma
longa estrada, desde a 1a. Conferência em Estocolmo/72 e o que
ocorreu durante os vinte anos, quando se
deu a 2a Conferência no Rio Janeiro/92.
Destacamos
que, em 1987 a Comissão Mundial sobre o Meio ambiente e Desenvolvimento,
conhecida também como Comissão
Brundtland e/ou Relatório Brundtland, entregou naquela data um trabalho de
quatro anos denominado Nosso Futuro Comum.
Nesse relatório, a conceitualização do desenvolvimento sustentável e suas nuanças demonstram ser intrinsecamente interligados os ecossistemas humano e natural. Como expõe a própria Presidente da Comissão, Gro Harlem Brundtland:
[1] O II PND
é anexo deste trabalho monográfico.
[2]
Sociedade pós-industrial é assim entendida como aquela que realizou o seu
esforço fundamental de industrialização, representando pela dissolução dos
costumes, pelos conflitos entre grupos, pela criminalidade, pelo
congestionamento e decadência das cidades, pela deterioração ambiental (Nusdeo,
1975:8).
[3]
Ibid.,1975:9
“É no meio ambiente que todos
vivemos, o desenvolvimento é o que nos fazemos ao buscar melhorar o que nos
cabe no lugar que ocupamos. Os dois conceitos são inseparáveis. Além disso, as
questões de desenvolvimento devem ser consideradas cruciais pelos líderes
políticos que acham que seus países já atingiram um nível que outras nações
ainda lutam para alcançar. Muitas das
estratégias de desenvolvimento adotadas pelas nações industrializadas são
evidentemente insustentáveis. E devido ao grande poder econômico e político
desses países, suas decisões quanto ao desenvolvimento terão profundo impacto
sobre as possibilidades de todos os povos manterem o progresso humano para as
gerações futuras” (Brundtland, 1991, XIV).
Para nosso melhor entendimento
desses vinte anos de trabalhos contínuos no mundo em prol da natureza, citamos
os principais temas que foram objeto de tratados ambientais internacionais que
se relacionam a: poluição transfronteiriça, poluição marinha, mudanças
climáticas, contaminação do espaço aéreo, região Antártica, recursos arquíferos
comuns, comércio internacional de animais, áreas sob especial regime de
proteção, controle de pragas[1].
Na 2a Conferência do Meio
Ambiente e Desenvolvimento - RIO/92, foram formalizados e idealizados
mecanismos para promoção do desenvolvimento sustentável, como: Agenda 21, série
ISO 14000, Diretrizes e Princípios para o meio ambiente, e o fortalecimento de
muitas ONGs no Brasil e no mundo[2].
Passaram-se
cinco anos. Em março de 1997, representantes de 80 países resolveram reunir-se
para avaliar as realizações dos acordos selados na RIO-92, e nomearam o evento
de RIO+5[3].Não
houve destaque algum. O caso brasileiro não esteve na sua melhor “performance”:
simplesmente não havia cumprido as regras básicas sugeridas há cinco anos. Ao
participar da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas em junho/97,
para avaliação da Agenda 21 de 176 países, o Brasil apresentou o que denominou
“A caminhada da Agenda 21 brasileira”, que se tratava de um estudo das ações em curso que podem ser entendidas como sinais de mudança para o desenvolvimento sustentável.
[1] SMA -
Tratados e Organizações Ambientais, 1997:8 - é anexo deste trabalho monográfico
a relação dos principais tratados internacionais em matéria de meio ambiente
dos últimos 25 anos.
[2] Os
instrumentos serão objeto de estudo do capítulo 4.
[3] RIO+5 e
a minuta da Carta da Terra e do Povo, é anexo deste trabalho monográfico.
Como vemos, instituições no mundo
todo buscam mecanismos ecoeficientes[1]
que promovam mudanças estruturais emergentes. No entanto, o meio ambiente
degradado, com maior intensidade nas últimas três décadas, continua respondendo
ao ecossistema humano nas ocorrências catastróficas que muitos países tem
sofrido como: inundações e secas, elevação de temperatura incomum em muitas
regiões do mundo, ausência de chuvas como também chuvas contaminadas por
poluentes, as chuvas ácidas, que consomem as florestas, incêndios
incontroláveis que as florestas tem sofrido, aumento da desertificação e degelo
dos pólos pelo efeito estufa. Estes exemplos são todos notícias do cotidiano,
que encontramos nas manchetes dos telejornais, jornais e revistas.
O surgimento da economia ecológica[2]
despontou com a reconceitualização de termos consagrados para conciliação do
tripé desenvolvimento x industrialização x ecologia. A união dos termos consagrados
“economia e ecologia”, sugerem um redirecionamento para melhor gerenciamento
das interações entre o homem e a natureza, de modo a assegurar o bem-estar,
tanto das próximas gerações quanto das espécies (May, 1995), (Cavalcanti,
1995), (Eli da Veiga, 1997).
“A
abordagem da economia ecológica é a de
rever os limites do crescimento fundamentados na escassez dos recursos naturais
e sua capacidade de suporte serem reais, e não necessariamente superáveis através do progresso tecnológico. Isso significa
que, ao lado dos mecanismo tradicionais de alocação e distribuição geralmente
aceitos na análise econômica, a economia ecológica acrescentaria o conceito de
escala, no que se refere ao volume físico de matéria e energia que é convertido
e absorvido nos processos entrópicos[3]
da expansão econômica. A escala sustentável se adapta de forma gradativa às
inovações tecnológicas, de modo que a capacidade de suporte não sofra erosão
através do tempo” (May, 1995: 6).
[1]
Ecoeficiência - é a eficiência com respeito a sustentabilidade do meio ambiente
[2] O termo
economia ecológica refere-se a esforços colaborativos para estender e integrar
o estudo e o gerenciamento da ecologia - “lar da natureza” e da economia - “lar
da humanidade”. As duas palavras possuem o radical eco que significa “lar”. A ciência
economia ecológica foi reconhecida formalmente em 1989, data de
criação da Sociedade Internacional de Economia
Ecológica-ISEE, nos Estados Unidos, e também iniciadas as publicações
científicas dedicada ao assunto.
[3] O termo
entrópico - é função termodinâmica de estado, associada à organização
espacial e energética das partículas de um sistema. Termodinâmica - parte da
física que investiga os processos de transformação de energia e o comportamento
dos sistemas nestes processos (Dicionário Aurélio, p.667)
Observamos
que uma das rupturas entre economia e ecologia explícita foi o avanço
industrial desordenado praticado e que no pretensioso domínio da natureza,
significou na verdade uma perda de seu suposto controle resultando num processo
de exploração predatória dos recursos naturais, como também, a percepção de ser
um complexo sistema e totalmente
impessoal (Maria Lima, 1984:40).
Tal ruptura é vista pelo ramo da
filosofia ética[1]
como o homem desrespeitando o próprio homem, já que o uso dos recursos naturais
sem estudo e planejamento prévios, trazem malefícios de natureza diversas ao
próprio homem. Eis alguns deles: danos na biosfera que tem como consequência o
efeito estufa[2],
os desflorestamentos sem reposição, as queimadas sem necessidade, a extinção da
biodiversidade, a exaustão dos nutrientes do solo pela monocultura (o que os
torna improdutivos), a desertificação, a pobreza e a miséria, todos fatores
influentes nos setores econômico-social-ambiental[3].
Sustentam muitos ecólogos que o
processo de uso inadequado dos recursos naturais, já foi longe demais. Os
limites sustentáveis foram ultrapassados, o que pode criar um colapso do
sistema natural, isto é, a destruição do meio ambiente e, por via de
consequência do próprio ser humano.
Devido aos motivos já expostos sobre
a ruptura entre ecologia e economia, há um consenso dos grupos intelectuais,
científicos, ecológicos, econômicos e ambientalistas que, têm-se percebido que
a qualidade de vida não é favorecida pelo desenvolvimento econômico
desordenado, pois a atual expansão está ainda associada à concentração de renda
e consequentemente a concentração urbana que é seqüela da industrialização,
provocando um descompasso entre o progresso, o desenvolvimento e o crescimento
econômicos, gerando o desequilíbrio ecológico[4].
Acreditamos tornar-se imprescindível a atenção à evolução cultural das
comunidades sociais do planeta, para conservar o que ainda existe e proliferar
as estratégias, planos e projetos criados para reverter os cenários degradados.
[1] Ética é
o estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de
qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a
determinada sociedade, seja de modo absoluto (dicionário Aurélio, p.733)
[2] Efeito
Estufa é um processo físico que acontece na atmosfera e provoca um aumento de
temperatura causando imediatamente várias modificações no meio ambiente, no
capítulo 3 estaremos estudando o assunto.
[3] Tais
assuntos serão tratados no capítulo 3.
[4] Nusdeo,
loc. cit., 7
1.2 A ECONOMICIDADE E O MEIO AMBIENTE
Dos inúmeros modelos de
desenvolvimento do meio ambiente e do meio humano, destacamos o exemplo de
estratégias estudadas por Hazel Henderson[1],
que considera o momento como um período de audácia
humana para subsistir a todas as mudanças ambientais que estão ocorrendo, e
que em alguns casos não há como cessar o processo ambiental negativo, que varia
de continente para continente em graus
destrutivos nos aspectos fisiográficos[2]
e climáticos, deixando de ser um problema regional para se tornar um problema
de ordem global, afirmam as comunidades científicas. Hazel Henderson definiu os
acontecimentos sócio-econômico-ambientais, como “as três zonas de transição”,
demonstrando que novas ferramentas conceituais de modelagem são necessárias
para que possamos aprender a interpretar e galgar às mudanças, como apresenta a
ilustração:
[1] Hazel
Henderson é fundadora de inúmeras
organizações de serviços à comunidade mundial, vem atuando de forma marcante na
construção de uma nova mentalidade pró-ativa, positiva e responsável, voltada a
construção de um futuro melhor para todos.
[2]
Fisiografia - é a geografia física das regiões(Dicionário Aurélio, p. 783)
A
zona 1 - Ruptura - enumera fatores que têm dizimado as economias e o
meio ambiente desde muito tempo, e que nos levou ao que Hazel Henderson chama
de Pedomorfose[1].
Hazel Henderson afirma que a Zona de Ruptura
vem a ser aquela em que a sociedade e as suas instituições obsolescentes estão
se desestruturando, estilhaçando, estagnando e entrando em decadência.
Esclarece, porém que não precisamos entrar em pânico, porque a desestruturação
é um processo tão natural como a adubação que cria um novo solo para se tornar
rico e produtivo. Na verdade, a natureza
mostra-nos como algumas espécies realmente regridem a um estágio larval
de desenvolvimento quando sua forma adulta torna-se demasiado rígida e
inadaptada, para assim reiniciar um novo
processo de evolução[2].
A zona 2 - Fibrilação[3]/Bifurcação
- expõe os primeiros passos a estratégias de mudanças e reconceitualização.
Hazel Henderson analisa a zona 2 como caracterizada por uma súbita mudança de
direção ou ponto-de-vista, quando sistemas inteiros entram nessa zona de
transformação por bifurcação. Esta zona exige reexame rigoroso das premissas,
prioridades, metas e dos próprios valores, uma vez que esses valores são a força motriz de todos os
sistemas técnicos, econômicos e políticos[4].
A zona 3 - Evolutiva -
demonstra-nos como é grande a capacidade de transformação do ecossistema
humano. Hazel Henderson compara esses primeiros bravos passos para criar novas
tecnologias de gerenciamento global como o desvendar do código básico da
molécula DNA, o que faz surgir uma crescente consciência das capacidades
humanas, como também, das responsabilidades quanto ao uso adequado das ciências
e tecnologias para uma economia global mais justa[5].
Toda
a mudança apresentada nas três zonas de transição faz-nos observar que na
mudança de valores a velha roda do desenvolvimento econômico está
insustentável.
[1] Pedo2=solo,
pedologia=edafologia que é a ciência que estuda os solos; morfose-formação, ato
de formar ou de dar forma; logo pedomorfose são formas que tomaram as regiões
durante e após os processos de destruição sofridos. (Dicionário Aurélio,
p.1292)
[2] Hazel
Henderson, loc. cit., 44..46
[3]
Fibrilação é quando o músculo do coração humano vacila temporariamente sob a
tensão, levando ou a um ataque cardíaco e possível morte, ou a mudança para
outro ritmo regular, e a mudança no planeta ocorrerá no ritmo regular.(Dicionário
Aurélio, p. 774)
[4] Hazel
Henderson, 46..48
[5]
Ibid.,48..49 - Compartilham da mesma filosofia Fritjof Capra, autor do livro Gerenciamento Ecológico entre outros;
aplica tais conceitos e propõe soluções
dos problemas sociais, econômicos e ambientais no Instituto Elmwood, do
qual é fundador. Herman B. Maynard & Susan E. Mehrtens são autores do livro A Quarta Onda, que trata de mudanças
nas instituições e redefinem as riquezas corporativas criando favorecimento
global.
Podemos
verificar isso pelas situações de acúmulo de cargas ocultas dos custos sociais,
como o aumento dos custos locais com poluição, o aumento do desemprego e da
criminalidade, da necessidade crescente de impostos e serviços (seja municipal,
estadual ou federal), o aumento dos déficit e da inflação que corroem a moeda.
Em muitos lugares há uma bolha especulativa ou recessiva exigindo mais
crescimento econômico, mesmo ultrapassando os limites ambientais e que em sua
contabilidade nacional tradicional ignora o meio ambiente, que é o principal
fornecedor de matéria prima, explica Hazel Henderson.[1]
Existem, sem dúvida, muitos motivos para mudar e no estágio em que o Planeta se
encontra de escassez de recursos naturais e renováveis, fome e miséria, a
mudança deve ser acelerada. A verdade é que a economia tradicional está
sucumbindo pelos próprios valores cultivados
Na mudança de valores, a ciência
ambiental está fortalecendo-se. “O
ambientalismo é nada menos que uma grande filosofia nova, de âmbito global, que
desafia praticamente todos os sistemas existentes” (Hazel Henderson,
1991:79).
O novo conceito de desenvolvimento
econômico ambiental desponta cada vez mais nos meios políticos, nas éticas
empresarias, nas grandes revistas e publicações[2]
do primeiro mundo há quase uma década, fazendo refletir nos países de Terceiro
Mundo.
Hazel Henderson apresenta-nos qual
foi o processo de reconhecimento da economia ecológica no primeiro mundo e a
mudança de sentimentos da revista mais
famosa mundialmente na área de economia,
The Economist.
Conta-nos Hazel que em 1989[3]
foi encomendada uma pesquisa pela revista The
Economist sobre o meio ambiente e os artigos foram publicados sob o título
“O crescimento pode ser verde” em 26/8/89 e “O custo da Terra” em 2/9/89. Ambos
criaram impactos em todo meio social, empresarial e político.
A
título de ilustração sobre o assunto segue um pequeno trecho de O Crescimento pode
ser verde: “O crescimento econômico
poderia ser reformulado e o crescimento verde seria, sem dúvida, um pouco mais lento do que o esperado para a
variedade suja. No presente, a maioria das atividades econômicas mal leva em
conta os custos que impõe sobre o meio ambiente à sua volta. As fábricas poluem
os rios como se as águas
limpas fluíssem gratuitamente, as usinas de força
queimam carvão sem cobrar de seus clientes os efeitos do dióxido de carbono
lançado na atmosfera e as madeireiras destroem florestas sem consciência do
impacto ambiental sobre a fauna, flora e a biosfera. Essas contas são deixadas
para que outros as paguem, as gerações futuras” (Hazel
Henderson, 1991:83).
Esse trecho elucida muito bem uma
parte dos danos causados pelo desenvolvimento, crescimento e progresso
econômico desordenado e concentrado. A reflexão que a revista The Economist provocou é parte da revolução social,
econômico, teórica e filosófica promovida pela grata visão dos métodos sustentáveis, para que a
economia venha ser gerida ecologicamente no século XXI.
Hazel Henderson afirma: “O maior triunfo do capitalismo e do mercado
atual para o futuro será a nova cria do economismo que se denomina
“Eco-Economia”, ou seja, “Economia Ecológica” (Hazel Henderson, 1991:98).
2 GERENCIAMENTO ECOLÓGICO
“Onde
estão as paisagens tranquilas de minha infância?
Onde
estão as florestas cheias de pássaros? Onde está o silêncio
da minha terra? Seremos os últimos românticos, que anseiam pela beleza
da mudança de estação? Onde estão as flores
que colhíamos perto dos riachos quando
éramos crianças? Sobrevivem apenas nas pinturas? Lembrem-se! O rosto da Terra
é
semelhante ao de um ser humano. Lembrem-se! “Somos apenas viajantes neste
planeta, e nada nos pertence.”
IVAN
LACKOVIC CROATA[1]
Pintor Iugoslavo
[1] In:
Salve a Terra, 1993:18
Há algumas
décadas ocorrem desastres ecológicos, que vêm causando danos ambientais muitas vezes irrecuperáveis. As catástrofes
estão mais diretamente ligadas a administrações deficientes do meio ambiente e
do desenvolvimento desordenado - provocando as secas e/ou as inundações -
fatores que afetaram o maior número de pessoas e as que se intensificaram mais
drasticamente em termos de vítimas. Lembramos alguns prejuízos ambientais:
1.Em 1946, a explosão teste da bomba
atômica que contaminou o Atol de Biquíni (Ilhas Marshall-USA), como também, o
pós-segunda guerra mundial demonstrou quantos desastres foram provocados nos
ecossistemas humano e natural.
2.Em 1967, ocorreu o primeiro grande
vazamento de petróleo no litoral de Cornoalha (Grã-Bretanha).
3.Em 1976, na Itália, na cidade de
Seveso, ocorreu a maior explosão química de dioxina, substância extremamente
tóxica, que vitimou milhares de pessoas.
4.Em 1978, outro terrível vazamento de
petróleo; desta vez, na costa da França.
5.Em 1984, na cidade do México,
tanques de gás liquefeito explodiram, matando aproximadamente mil pessoas e
deixando milhares desabrigados.
6.Outro acontecimento, em 1984, foi o vazamento de uma
fábrica de produtos químicos na cidade de Bhopal (Índia) que matou e contaminou
milhares de pessoas.
7.Em 1986, na Suíça, durante o incêndio de um depósito, foram
despejados no rio Reno produtos químicos agrícolas, solventes e mercúrio,
matando milhões de peixes e ameaçando o abastecimento de água potável na
República Federal da Alemanha e Holanda.
8.Outro acontecimento, em 1986,
foi o vazamento de radiação da usina atômica na cidade de Chernobyl (Rússia),
ameaçando o Continente Europeu.[1]
[1] Salva a
Terra, 1993:5..7, Brundtland, 1993:3
Esses
desastres ecológicos relatados são danos ambientais que se tornaram manchetes.
De 1984 a 1987, cerca de 60 milhões de pessoas morreram de doenças intestinais
decorrentes de desnutrição e da ingestão de água imprópria para o consumo (as
vítimas, na maioria eram crianças)[1].
As auditorias ambientais, segundo a pesquisa de Dália Maimon, indicam que “estatísticas coletadas durante 25 anos
registram até 1986 cerca de 2.500 acidentes industriais, metade (1419)
ocorreram entre 1981 e 1986”(Daimon,1995:403). Somando-se outros danos
ambientais, devido ao uso inadequado dos recursos naturais, tais como: das inúmeras pequenas guerras, dos
detritos atômicos, lixos industriais e dejetos humanos despejados nos oceanos,
rios e lagos, dos desflorestamentos e queimadas praticados sem princípios nem
critérios, da exploração mineral que tornam os solos e as regiões próximas
improdutivos e contaminados pelo
mercúrio, são todos caracterizadas por catástrofes ecológicas, também, de menor
escala e que prejudicam o desenvolvimento e a economia no âmbito global.
O acúmulo de atentados à natureza
fez com que ambientalistas, cientistas, economistas, administradores e
ecologistas se reunissem durante as três
últimas décadas, para buscar medidas alternativas viáveis econômica e
ecologicamente, criando-se estratégias e atitudes pró-ambientais em benefício
da humanidade, para que sejam promovidos o desenvolvimento, progresso e
crescimento de forma sustentável aos ecossistemas humano e natural.
Dentre muitas diretrizes inovadoras ao
gerenciamento sustentável que engloba muitas técnicas estão: práticas de manejo
florestal sustentável para florestas plantadas e florestas nativas[2],
zoneamento-econômico-ecológico[3],
estratégias que possibilitem práticas sustentáveis ao desenvolvimento das
atividades econômico-ecológico-sociais[4].
Gerenciar
adequadamente o meio ambiente torna-se ideia consumada em meados da década de
80. Os países da Alemanha e Inglaterra e posteriormente os Estados Unidos foram
pioneiros nos procedimentos para produtos e serviços “eco-favoráveis”, para estimular os econegócios. Os Partidos Verdes da Europa tiveram relevante participação na criação de mecanismos protetores, assim como no cumprimento da legislação ambiental vigente. Com as contínuas pressões populares, empresas iniciaram a adoção dos novos mecanismos sustentáveis, como também passaram a seguir o lema: “administrar ecologicamente é a garantia de mercado para o futuro”.
[1]
Brundtland, loc. cit., 3
[2] Manejo
floresta, técnicas de cultivo e as viabilidades econômica-ecológicas serão
estudadas no cap 3.
[3] Zona
Econômica Ecológica-ZEE, no Brasil,
consiste na promoção da ocupação e o correto aproveitamento dos recursos
naturais, buscando equilíbrio.(SBS,nº56:36)
Zona Econômica
Exclusiva-ZEE, na Comunidade Econômica Européia-CEE é a forma encontrada para
proteger e administrar os mares, na alocação dos dejetos nucleares.(Brundtland,
1991: 304..307)
[4]
Estaremos detalhando técnicas no capítulo 3.
Portanto, o conceito básico de “gerenciar ecologicamente é ver os gastos com
a proteção ambiental, não como custo adicional e sim como investimento para
capital futuro, inclusive como capacidade para competição no mercado. Tal
percepção, fez com que a atitude
das empresas passassem
de defensivas para
ativas e criativas” (Capra, 1993: 25).
É interessante comentar como se
desenrolaram as influências nos países da Europa no início da década de 80. Foi
desenvolvido, para a época, um modelo de pesquisa chamado “modelo administrativo dos interessados”, que visava todo o
indivíduo com potencial a consumir, e ele foi útil para que as empresas
alcançassem o patamar de produtos e serviços
eco-favoráveis no mercado dos novos negócios ambientais.[1]
O “modelo administrativo dos interessados” forneceu argumentos para
que as empresas pudessem reformular seus planejamentos e prever impactos ao meio
ambiente, dando-lhes bases informativas para criarem os departamentos de
administração de risco, que julgavam esse tipo de análise vir contribuir na
prevenção de problemas ambientais, em especial aqueles derivados do impacto de
protesto social[2].
Dessa pesquisa direcionada aos interesses das empresas temos um exemplo, na
ilustração a seguir: Os oito motivações para as empresas protegerem
o meio ambiente.
Fonte: Gerenciamento Ecológico, Capra, 26
[1] Capra,
loc. cit., 29
[2] Ibid.,
30
Como vemos
na ilustração, as indústrias empresas pioneiras na bem-sucedida adoção de
métodos pró-ambientais criaram em suas empresas o clima de econegócios,
aumentando a consciência ambiental através de treinamentos e educação
ambiental, formando daí um movimento econômico-ecológico, e consequentemente destacando-se no mercado
eco-favorável com aumento das vendas pela qualidade e origem dos ecoprodutos.
As empresas estão atentas para qualquer menção que venha suscitar a causa de prejuízo
ao meio ambiente, pois, isso poderia minar a competitividade no mercado. Foi
através da administração sistêmica[1]
que as empresas constataram a conexão
ecologia e economia, o que trouxe
transformações para as estruturas organizacionais. Dessa forma as empresas
conquistaram credibilidade dos consumidores no primeiro mundo.
A tendência à administração
sistêmica é crescente nos negócios da Europa e dos EUA. Vem transformando a
abordagem do mundo empresarial dos números para uma abordagem ecoeficiente
(eficiência com respeito ao meio ambiente ) e com garantias de capital futuro com a
ecoadministração (termo usado como sinônimo de administração sistêmica); o
ecodesenvolvimento (um desenvolvimento em harmonia com a ecologia, com base na
valorização da diversidade biológica e cultural. O ecodesenvolvimento passa a
ser percebido como um tipo particular de desenvolvimento sustentável) traz a
reconciliação entre progresso, desenvolvimento, crescimento com planejamento e
estratégias ambientais sustentáveis.
[1]
Administração sistêmica é um dos fundamentos do gerenciamento ecológico, que
consiste na substituição de um sistema de valores baseados na dominação para um
sistema baseado na parceria. Substitui a ideologia do crescimento econômico
pela da sustentabilidade ecológica.
A
administração com consciência ecológica só pode ter êxito se a alta direção estiver
totalmente comprometida com o processo e com sua implementação. Isto significa
estar ecologicamente instruído, ou seja, entender dos princípios da ecologia,
falando a “linguagem da natureza”. O programa de gerenciamento ecológico
explora o terreno onde se intersectam a ecologia e os negócios; promove
portanto, a administração com
consciência ecológica e negócios sustentáveis, estimulando as transformações de
valores, com objetivo de diminuir sensivelmente os impactos ambientais. [1]
O gerenciamento ecológico propõe um
planejamento estratégico de âmbito natural, para que as empresas desenvolvam
seus negócios de forma sustentável[2].
2.1 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Como vimos, o gerenciamento trabalha
na criação do desenvolvimento de controles para impedir desperdícios de toda
ordem. Temos hoje um conglomerado de instrumentos reguladores próprios para o
meio ambiente, que oferecem estratégias, planos e planejamentos para o uso adequado dos recursos naturais e
renováveis.
Segundo
Jöhr, há muitos desperdícios como: de recursos de matérias-primas, de esforço,
de transporte e de capital. Quando somados se tornam desperdícios globais, que
na maioria das vezes são imensuráveis. Os instrumentos para qualificação e
normatização reduzirão sensivelmente os desperdícios e melhorarão a qualidade,
além de criar estímulo para prática de manejo e técnicas florestais adequadas
(Jöhr, 1994:38).
“A
introdução do gerenciamento ecológico depende de uma mudança de paradigma[3].
Não se trata mais da antiga visão empresarial, e sim de um planejamento estratégico
acoplado a uma administração participativa. O resultado será uma conduta pautada
por uma visão integral da econômico-ecológico-social, orientada em direção a um
vetor evolutivo. Insistimos sempre na ecologia, por ser o lugar de excelência
de nossa função econômica “ (Capra, 1994:62).
O
desenvolvimento sustentável, como o próprio nome diz, é a capacidade de gerir
sustentabilidade, “é aquele que atende às
necessidades do presente sem comprometer as possibilidades de as gerações
futuras atenderem as suas próprias necessidade, como também, é uma forma de otimizar o uso racional dos recursos naturais e a garantia de conservação e do bem-estar para as gerações futuras. É o maior desafio da atualidade. Nas expectativas do novo século, o desenvolvimento sustentável é o novo modelo econômico, é um projeto para uma sociedade estável, ou seja, um ser humano (re)estruturado com a visão do todo”. (Brundtland, 1991: 46)
[1] Capra,
loc. cit., 14
[2] Existem
dez mandamentos da empresa verde, é anexo deste trabalho monográfico.
[3]
Paradigma é a visão dominante do mundo,
foi originalmente apresentado por Kuhn (1962), em seu trabalho sobre
revoluções científicas. Demonstra a forma plena de interligação entre a
economia e as ciências naturais constituindo-se em uma mudança de âmbito
global.
Esta degradação que presenciamos é o
declínio do consagrado conceito de desenvolvimento econômico, o qual se
preocupava apenas em suprir da natureza os recursos naturais, e através dos
quais as indústrias de transformação criam produtos de consumo, aumentando as
riquezas. Tal modelo de desenvolvimento
não construiu um progresso para todos, criando sim uma concentração de
renda muito grande para poucos, como também, um fosso entre os países de
economias ricas e pobres, uma vez que os países de primeiro mundo adquirem
matéria-prima em grandes volumes dos países subdesenvolvidos. Segundo o
Relatório Brundtland “essa desigualdade é o maior problema ambiental do Planeta
Terra, é também o seu maior problema de desenvolvimento”. [1]
Para que haja “justiça social” é
imprescindível grandes mudanças de valores de âmbito mundial, uma verdadeira
revolução cultural que traga processos inovadores. Caminhamos a passos lentos
rumo a reconceitos, na qual a ética e a ecosofia[2]
criam o homem para o século XXI. A ética e a ecosofia esclarecem-nos que o
desenvolvimento sustentável tem muitas nuanças, todas, porém limitadas. Tais
limites se dão devido ao atual estágio da humanidade e da tecnologia existente.
Há possibilidades, entretanto, para a realização adequada da transição do ciclo
predatório para o ciclo sustentável e isto está comprovado ser economicamente
viável.[3]
Os desafios do desenvolvimento
sustentável a serem vencidos são inúmeros. Citamos alguns de forma generalista
e sintética:
[1]
Brundtland, loc. cit., 6
[2] Ecosofia
é a união de teorias consagrados como a ecologia e a filosofia, o termo
ecosofia surgiu em 1990, buscando marcar a presença ecológica. Temos dois
pontos de vista de autores diferentes: Hazel Henderson define ecofilosofia como
estudo e renovação de conceitos voltados para a valoração ambiental, enquanto
Burzstyn define ecosofia como sendo quando o homem revê e refaz o ambiente,
através do aprendizado com a natureza.
[3]
Brundtland, loc. cit., 9 - estudos de viabilidade são apresentados no capítulo
3.
1.Área
social:
a pobreza é elemento nocivo para o ecossistema humano e ecossistema natural, é
preciso que as instituições públicas e privadas se unam, e nesta parceria
desenvolvam bases firmes para atender as necessidades primárias do ser humano e a promover meios sustentáveis nas comunidades.
2.Área política: que a legislação seja
fielmente cumprida, com seriedade, credibilidade e aumento de consciência
ecológica.
3.Área industrial: que o ecodesenvolvimento e
a administração sistêmica sejam praticados através do gerenciamento ecológico
consistente para o ecossistema humano como para o ecossistema natural.
4.Área cultural: que as bases anteriormente
fincadas do desenvolvimento econômico, abrem-se para serem reavaliados e
realimentadas com novos conceitos, métodos, estratégias, tecnologia e educação,
pois a educação ambiental é base de todo processo sustentável.[1]
“O
desenvolvimento sustentável não é um estado permanente de harmonia, porém um
processo de mudança no qual a exploração dos recursos, a orientação dos investimentos,
os rumos do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional estejam de acordo
com as necessidades atuais e futuras. Sabemos que este não é um processo fácil.
Escolhas difíceis terão de ser feitas. Em última análise, o desenvolvimento
sustentável depende do empenho político”(Brundtland, 1991:10).
Uma outra nuança, do conceito de
desenvolvimento sustentável, com diretriz filosófica e ética, é a ecomenia[2]
que indica a interdependência dos
ecossistemas. “A ecomenia visa aprender e
não apreender o meio ambiente, buscando compreender os processos de regulação
natural que são muito diferenciados no próprio meio. Trata-se de uma revolução
mental da sociedade. Essa nova ótica depende da nova ética de reformulação
da vida” (Bursztyn, 1993:13).
Fato
é que o sistema de desenvolvimento econômico que ainda se mantém está
sucumbindo pelo seu próprio estágio predatório. Há esgotamento de muitos
recursos naturais e a extinção de espécies da fauna e flora sendo, portanto, o
desenvolvimento sustentável em seu leque
ambiental um dos suportes da economia
ecológica. Para a construção da
economia com desenvolvimento sustentável são apontados algumas metas: a
metaecologia, a metaeconomia, o metasocial, a metapolítica, o
metareflorestamento[3], o
metacultural, a metaeconologia[4].
O prefixo “meta” é utilizado para enfatizar o impulso do homem na busca do equilíbrio, unindo o conceito à ação, criando um meio ambiente sustentável no longo prazo.
[1]
Brundtland(1991), Brusztyn(1993), Capra(1993)
[2] União de
termos consagrados como a economia e a ecologia, que tem a finalidade de
conscientizar-nos aprendizes quanto ao que se refere ao universo do meio natural.
[3] O
projeto Floram, propõe um megareflorestamento
nacional, é objeto de estudo no capítulo 3.
[4]
Metaeconologia-união de termos consagrados como a ecologia e a tecnologia.
O desenvolvimento sustentável
propaga técnicas das quais serão citadas
as que estão voltadas para o desenvolvimento das florestas, como: silvicultura,
silvopastoril, agrosilvopastoril, que praticadas com manejo florestal adequado
e favorecem ao progresso e crescimento sustentável das florestas tropicais[1].
Queremos esclarecer que manejo e
desenvolvimento sustentável estão interligados, porém, com conceitos próprios.
Falaremos sobre o manejo florestal.
Manejo florestal é a ciência que tem por finalidade planejar tudo o que se
relaciona com o uso das florestas. Manejar é um termo que indica uma atitude
voluntária de querer trabalhar com floresta e baseia-se no seu uso racional,
característica natural de seus diferentes extratos. São, portanto,
interdependentes. O manejo florestal tem suas nuanças, que variam de localidade,
município, estado e de países. As nuanças de manejo devem-se a muitos aspectos
particulares das florestas, tais como: tipologia[2],
topografia[3], fitogeografia[4],
geoecologia[5],
biodiversidade[6],
etc.
A Organização Internacional de
Madeiras Tropicais-OIMT tem uma definição para manejo: “Manejo florestal sustentado é o processo de gerenciamento permanente de
áreas florestais para atingir um ou mais
objetivos claramente especificados de manejo, visando a produção de um fluxo contínuo de produtos e
de serviços florestais desejáveis, sem a indevida redução de seus valores
intrínsecos e futura produtividade, e sem efeitos indesejáveis sobre o meio
físico e social, quanto aos critérios é necessário destacar que as
determinações de sustentabilidade e, portanto, o uso devem ser adequados e
específicos à cada país ou região de manejo.“(OIMT, 1994:2/3).
[1] As
técnicas citadas serão objeto de estudo no capítulo 3.
[2]
Biotipologia - ciência das constituições, temperamentos e caracteres, biologia
diferencial.
[3]
Topografia - descrição minuciosa de uma localidade, representando o termo com
todos os acidentes.
[4]
Fitogeografia - estudo das relações da vida vegetal com o meio geográfico, do
que resulta o conceito paralelo ao de ecologia ou, melhor, fitoecologia que
equivale a geografia botânica que estuda a distribuição das plantas nas várias
regiões, de acordo com respectivas flores.
[5]
Geoecologia - geografia ecológica que estuda as relações entre as plantas e o
meio ambiente. Tem um sub-ramo importante a sinecologia vegetal, que estuda os
agrupamentos ou associações de plantas.
[6]
Biodiversidade - estudo da diversidade dos seres vivos e suas espécies, engloba
plantas, animais e microorganismos, bem como ecossistemas e processos
ecológicos dos quais são componentes (CIMA,1991:143)
Nessa transição
da economia insustentável para a economia sustentável, as técnicas citadas
sofrerão ainda muitas alterações em seus processos particulares,
aperfeiçoando-se até atingir o menor impacto ambiental, ou seja, causar o menor
desequilíbrio ambiental.
Um instrumento legal e muito
importante, para o apoio às realizações
do desenvolvimento sustentável, é a Agenda
21 - documento formalizado na 2a. Conferência sobre o Meio
Ambiente e Desenvolvimento - ECO92, destinado a integrar as atuações globais
para o bem-estar do homem, é o melhor roteiro
para a transição do ciclo econômico predatório para o ciclo econômico
sustentável. Seu principal objetivo é preparar o mundo através de estratégias,
planos e políticas ambientais. É um documento que promove esforços para
mudanças de padrões de produção e consumo.
Dos
enfoques da Agenda 21 há um conjunto
de diretrizes que destacamos, estão direcionadas para a erradicação da pobreza pelos motivos que Mattos Lemos sintetiza:
1.Por motivos éticos, sobre os quais nem
precisamos discutir.
2.Porque está demonstrado que quando
aumenta o nível de vida e de educação geral de uma comunidade, o índice de
crescimento demográfico cai naturalmente.
3.Para reduzir o nível de degradação
ambiental causado pela falta de alternativas para a sobrevivência das populações pobres, pois a pobreza reduz a
capacidade de as pessoas usarem os recursos naturais de forma racional. A
realidade que vivemos hoje, nos indica que qualquer tentativa de reduzir a
pobreza pelo crescimento puro e simples da economia mundial, sem modificações
nos estilos de vida e hábitos do consumo, conduzir-nos-ia rapidamente, da
situação atual de insustentabilidade a longo prazo, para a possibilidade de um
colapso iminente (Mattos de Lemos,1996:13).
Diomar D. Silveira, consultor pelo
Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento-PNUD no Ministério do Meio Ambiente, explica que a
Agenda 21 é um mecanismo de
planejamento com o fim explícito de colocar as comunidades em um novo patamar
de desenvolvimento, caracterizado pela busca da harmonia entre a satisfação das
necessidades humanas e o uso dos recursos ambientais.
Este
mecanismo foi fruto de um intenso trabalho diplomático, com grupos compostas
pelos delegados governamentais, e também, por inúmeros técnicos de instituições
acadêmicas e de pesquisa, empresários e membros de ONG’s. A Agenda 21 é um documento político que
somente terá eficácia se a sociedade como um todo se conscientizar da
necessidade da implementação de seus preceitos. A ênfase desse plano de ação
está dada pela ampla participação da sociedade na tomada de decisões, assim
como na existência de instâncias institucionais que favoreçam sua
implementação.
Para
Silveira está bem claro que a Agenda 21
solicita que os países façam esforços na revisão de seus processos de
desenvolvimento e busque um consenso entre os vários setores, através de uma
estratégia nacional sob a forma de uma Agenda 21 Nacional (Eco-Rio, 1997:9).
O
desenvolvimento sustentável está apoiado por instrumentos reguladores legais
que as comunidades nacional e internacional têm trabalhado em criar formas
adequadas para Gestão dos Sistemas Ambiental. Eis alguns desses instrumentos:
LEGIFLOR[1],
CERFLOR[2],
ISO14000[3],
Conselho das Florestas Tropicais(FSC), P&C[4],
Organização Mundial das Florestas Tropicais (OIMT) - Diretrizes e critérios[5],
entre muitas as ONG’s: WWF e IMASON[6].
Todos são planos de ação para empresas públicas e privadas orientarem-se no
contexto global da sustentabilidade[7].
Segundo Berta K.Becker, o
compromisso de sustentabilidade e interdependência é de maior amplitude: “O desenvolvimento sustentável é algo mais do
que um compromisso entre o ambiente físico e o crescimento econômico. O
desenvolvimento sustentável significa uma definição de desenvolvimento que
reconhece os limites da sustentabilidade, origens não só naturais como
regionais e estaduais. E ainda, o desenvolvimento sustentável é mais que
crescimento, ele exige uma mudança no teor do crescimento, a fim de torná-lo
menos intensivo de matérias-primas e energia, e mais eqüitativo em seu impacto”(SBS,XVI,n.59:46)
Portanto, ao se definirem os
objetivos do desenvolvimento econômico e social, é preciso levar em conta sua
sustentabilidade, seja nos países
desenvolvidos seja nos países em desenvolvimento.
[1] Legiflor
- Sistema de legislação florestal brasileira desenvolvido pela SBS-Sociedade
Brasileira de Silvicultura.
[2] Cerflor
- Sistema de certificação de origem de matéria prima florestal, desenvolvido
pela SBS e outras entidades do setor florestal.
[3] ISO
14000 - Normas de qualidade total específicas para o meio ambiente.
[4] FSC -
Conselho de Manejo Florestal - tem a finalidade de orientar para o uso adequado
das florestas.
[5] Sistema
de manejo para uso adequado das florestas tropicais
[6]
WWF-Fundo Mundial para a Natureza e IMASON-Instituto do Homem e o Meio Ambiente
da Amazônia.
[7] Os
mecanismos pró-ambientais serão objeto de estudo do capítulo 4.
2.2 O DESAFIO GLOBAL EM BUSCA DO
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Segundo
o Relatório Brundtland, cerca de 170 países do planeta buscam soluções e
propagam nas novas teorias de desenvolvimento, e o desafio deve alcançar todos os países do planeta, sejam eles de
economias capitalistas ou economias socialistas até o ano 2000, para o
planeta engajar-se no desenvolvido sustentavelmente em sua
globalidade, como também que o desenvolvimento pressupõe transformação
progressiva econômica e socialmente. A caracterização principal deste conceito
atualmente é a sustentabilidade da economia e de estratégias e planejamentos
adequados.
Percebemos
que até as crises ambientais atingirem picos insustentáveis, o ecossistema
natural existia apenas para abastecer o ecossistema humano, que criou danos
como: o aquecimento da temperatura do planeta (que, inclusive, já causou mortes
nos Estados Unidos), as chuvas ácidas que têm atingido florestas em muitas
partes do mundo; a desertificação que está atingindo áreas cada vez maiores em
todo mundo; a mineração que exaure os solos produtivos; o uso excessivo de
agrotóxicos na agricultura causando males à saúde; os desflorestamentos e as
queimadas sem princípios nem critérios causando, também, o extermínio da
biodiversidade que é tesouro inestimável e imensurável.
Essas alterações correlatas criaram
novos vínculos entre a economia global e a ecologia global, pois no passado se
preocupavam apenas com os impactos do crescimento econômico; agora temos que
nos preocupar com os impactos de desgaste ecológico.[1]
Em face das crises ambientais,
observamos que os países em desenvolvimento, especialmente os
latino-americanos, diante da adoção do conceito de desenvolvimento sustentável
e administração sistêmica, estão extremamente interessados em conciliar o crescimento
econômico às questões sociais e a proteção do meio ambiente (Kitamura,
1994:19).
“Na
busca do desenvolvimento sustentável, políticas ambientais trazem sérias limitações
e implicações de diversas naturezas para
os países em desenvolvimento, por suas raízes históricas, por suas economias
periféricas, pelos estilos de desenvolvimento adotados, pela forma de sua
inserção na economia internacional, pelos problemas estruturais de sua
economia, além das dificuldades derivadas do fato de estarem, na sua grande
maioria mergulhados em uma longa crise econômica” (Kitamura,1994:20).
[1] Brundtland, loc. cit., 5
A ONU e as
instituições vinculadas propõem o desafio global que estimula os países na
busca da sustentabilidade elaborando suas próprias Agenda 21 recriando assim a economia com política ambiental
desenvolvimentista dentro de princípios e critérios, tais como: 1)retomar o crescimento “sustentável”;
2)alterar qualidade do desenvolvimento;
3)atender as necessidades essenciais de emprego, alimentação, energia, água e
saneamento; 4)manter um nível populacional sustentável; 5)conservar e melhorar
a base de recursos; 6)reorientar a tecnologia e administrar o risco; 7)incluir
o meio ambiente e a economia no processo de tomada de decisões.[1]
Dentro de algumas premissas das
estratégias sustentáveis citadas destacamos o “crescimento sustentável”, que se aplica ao crescimento demográfico
e ao planejamento familiar, a educação e formação de um cidadão que, sem
dúvida, é a melhor forma de combater a pobreza e as misérias humanas e consequentemente
a degradação do meio ambiente. O “crescimento sustentável” elevaria, em longo
prazo, as taxas e índices do desenvolvimento da nação, criando qualidade de
vida e bem-estar geral.
A meta do desenvolvimento
sustentável e a natureza indissociável dos desafios impostos pelo meio ambiente
e o desenvolvimento global, constituem um problema para as instituições
nacionais e internacionais, criadas a partir de preocupações restritas e compartimentadas.
A reação dos governos à rapidez de amplitude das mudanças globais têm sido a
relutância em reconhecer devidamente a necessidade de eles mesmos mudarem . Os
desafios são interdependentes e complementares exigindo, portanto, abordagens e
participação popular para realização das grandes reformas institucionais.[2]
Lembramos que a Agenda 21 é também um instrumento institucional, que aponta entre
outras formas de desenvolvimento como a de biotecnologia[3]
para que os países de terceiro mundo se capacitem para criar um mercado
potencialmente capaz de competir com o primeiro mundo manejando e
racionalizando adequadamente os recursos naturais.
Embora
haja interesses em soluções globais para tais problemas, tanto por parte dos
países industrializados quanto dos países em desenvolvimento, fica claro que
somente a consciência da existência de
uma interdependência ambiental em nível global não é o suficiente para balizar
as decisões no sentido de uma ação multilateral nesse campo.
[1] Brundtland, loc. cit., 53
[2] Ibid.,
10
[3]
Biotecnologia - a arte e a técnica de adaptar os organismos vivos da natureza
às necessidades do homem.
“Isto por que interesses mútuos (via troca)
ou interesses comuns (via cooperação), quando colocados no contexto geral, são
facilmente dominados pelos interesses nacionais de países hegemônicos, de
acordo com a ordem estabelecida” (Kitamura, 1994:25).
Observamos a esse respeito, que o
desenvolvimento sustentável é uma parte proporcional e significativa da estrutura
macroeconômica, uma vez que os fatores produtivos influenciam na degradação
ambiental. Em virtude disso se enfatiza a erradicação da pobreza e o
desenvolvimento de mecanismos econômicos pró-ativos, pois são soluções que
diminuirão os fatores agravantes do Mundo Terceiro Mundo.
Neste cenário de Mundo Terceiro
Mundo, onde mais da metade do planeta é subdesenvolvido, temos as ações globais
do Plano de Ação Florestal Tropical - PAFT. Este programa descreve os elementos
fundamentais que podem contribuir para conservar e desenvolver os recursos
florestais em longo prazo. De forma generalista e sintética, citamos alguns
exemplos de como é possível solucionar o problema dos desmatamentos e das
queimadas em regiões que sofrem profundos prejuízos pela ausência das
florestas, assim como devolver gradativamente o desenvolvimento social para as
regiões:
1. Na China e Etiópia os agricultores
plantam árvores nas encostas íngremes para proteger a agricultura e evitar a
erosão.
2. Na Índia eles plantam árvores próximas das represas para
evitar assoreamento e nas encostas na evitar erosão.
3. No Nepal o reflorestamento com
árvores forrageiras tem múltiplos usos, tais como adubo e alimento para os
búfalos.
4. No Paquistão e Colômbia a
reconstituição de encostas degradadas, também, faz a recuperação das bacias hídricas
das montanhas.
5.
No Peru o INFOR-Serviço
Florestal do Peru, está fomentando atividades florestais através de viveiros florestais. [1]
Fonte: PAFT,1993:20
Como observamos o Plano de Ação Florestal Tropical promove cultivo de viveiros e plantações das espécies adequadas às regiões, sendo de prioridade a espécie de crescimento rápido, como: pinus, eucalipto e teca. Desta forma há maior preservação das florestas nativas. O plano difunde os recursos que oferecem as florestas plantadas, favorecendo as populações onde são aplicados o PAFT, que aprendem o porquê de manter as florestas nativas ou florestas plantadas consorciadas ao cultivo agrícola ou a pecuária, como também, a aproveitar tudo dos recursos naturais e tratar o solo de forma adequada, evitando desperdícios e criando maior produtividade para as propriedades rurais.
No Brasil, há cerca de 15 anos difunde-se a técnica chamada de silvicultura (é teoria e prática da formação e manejo das florestas e utilização de seus produtos. Outra definição é o manejo científico das florestas para produção permanente de bens e serviços). A Silvicultura é utilizada pelas empresas de papel e celulose no cultivo de espécies de crescimento rápido, como eucalipto e pinus. A espécie teca é muito utilizada pelas empresas moveleiras e de construção civil.
[1] Plano de
Ação Global foi elaborado pela FAO-Org das Nações Unidas para Alimentação e
Agricultura, com cooperação da WRI-Instituto de Recursos Mundiais, pelo
IBRD-Banco Mundial e pelo UNDP-Programa das Nações Unida em Desenvolvimento
(4..20).
2.3 O BRASIL E O DESAFIO DO DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
O Brasil é um país em desenvolvimento,
com dimensões territoriais muito extensas e com deficientes administrações. O
uso inadequado dos solos levaram muitas regiões a desertificação, erosão, poluição
do ar e da água.
Nosso país é visado pela comunidade
mundial pelo potencial industrial, potencial agrícola, pela rica biodiversidade
da fauna e flora tropicais que ainda abrigamos. É também apreciado pela
diversidade cultural.
O
país é tudo isso, e muito mais, e passa
pela transição ecológica como os demais países de Terceiro Mundo. Chegamos à
crise ambiental que assola os países de Primeiro Mundo há
mais de três décadas. O Brasil é um
desafio, é um país de contrastes. Enfrentamos a crise ambiental, a pobreza e a
miséria em alta escala e buscamos também
o desenvolvimento sustentável e a criação da Agenda 21 brasileira.
Há consenso de que a pobreza e a
degradação ambiental se encontram
intimamente relacionadas e de que a proteção do meio ambiente não pode ser
isolada deste contexto global[1],
o que nos leva à reconceitos dos horizontes sócio-político-econômico-ambiental
em que os brasileiros vivem.
“O
Brasil enfrenta não somente situações de degradação ambiental associadas com
excesso de desenvolvimento - que cria poluição de toda ordem e desperdício de
recursos, como situações de ausência de desenvolvimento ou de desenvolvimento
perverso - que cria pobreza e concentração de renda. É relevante assinalar que,
em situações de extrema pobreza, o indivíduo marginalizado da sociedade e da
economia nacional não tem nenhum compromisso para evitar a degradação
ambiental, uma vez que a sociedade não impediu sua própria degradação como
pessoa” (CIMA, 1993:24).
Os impactos ambientais são de
altíssimos índices no Brasil. Exemplo disto é a industrialização maciça e
tardia que incorporou padrões tecnológicos avançados para a base nacional,
porém ultrapassados no que se refere ao meio ambiente com escassos elementos
tecnológicos de tratamento e reciclagem[2].
Exemplificamos um grande impacto ambiental: A expansão acelerada da mecanização
dos garimpos trouxeram a degradação ambiental e conflitos com as populações
indígenas, como a mineração praticada de forma desordenada causou impactos
ambientais em virtude do desconhecimento da geologia regional, provocando
desflorestamentos, exaustão dos solos, assoreamento de drenagens naturais,
dispersão de mercúrio nos rios entre outras desordens
sócio-econômico-ambientais[3].
Podemos citar três
superconcentrações industriais de destaque em degradação ambiental:
1.
CUBATÃO: polo petroquímico, localizado ao pé da Serra do Mar, na
baixada Santista próximo de São Paulo, conhecida em todo o mundo pelo potencial poluidor. Nos últimos cinco
anos vem gradativamente equipado suas indústrias, normatizado suas empresas, inclusive com acompanhamento de
pesquisadores no biomonitoramento feito para a reconstituição sócio-ambiental;
2. CAMAÇARI:
Polo petroquímico, localizado na Bahia, abriga 52 indústrias e mesmo com
avanços tecnológicos, que foram insuficientes para controlar a poluição hídrica.
Este fato fez a empresa atentar para todos os resíduos, sejam líquidos ou
sólidos que merecem tratamentos adequados em termos de proteção. O Polo, em
1991, através da empresa Cetrel iniciou o tratamento ambiental e implantou,
também, a educação ambiental na empresa.
3.
CARAJÁS: Polo minero-metalúrgico, localizado no sul do Pará,
contribuiu, infelizmente, para o processo acelerado de desmatamento da região
transformando árvores em carvão vegetal e consequentemente exauriu o solo.
Entretanto, no início da década de 90 a Cia Vale do Rio Doce-CVRD idealizou o Projeto Polos Florestais que tem o
objetivo de reverter o processo de degradação, inclusive o empobrecimento que
se fez na região. Mas isto não é o bastante e o projeto desde seu início
caminha em velocidade menor que o primeiro processo.[4]
Estes
são alguns dos maus exemplos, dentre tantos outros, porém de significativa
desatenção ao meio ambiente. Dalguma forma, todos perceberam a necessidade da reconstrução
ambiental e praticam as estratégias, planos e projetos em velocidades bem menores
do que o exploraram.
Segundo Jöhr, "Nos Estados Unidos não há inocência e nem desculpas em ignorar possíveis danos ambientais. Desde 1990 a
legislação tornou-se ainda mais severa com relação a multas, e mais punitiva
quanto aos executivos responsáveis pelas empresas causadoras da degradação
ambiental (inclusive com prisões de 6 meses a 18 meses aos infratores). As
empresas americanas implementam o gerenciamento ecológico com maior velocidade
que os demais países das Américas Central e Sul que, em sua maioria, são países
em desenvolvimento." [5}
[1] Brundtland(1991), Kitamura(1994), Bursztyn(1993), Capra(1993), Haroldo de Mattos(1996), Berta K.Becker (1996)
[2] CIMA, loc.cit., 47
[4] Ibid., 48..50
[5] Jöhr, loc.cit., 33
2.3.1 O BRASIL E OS TEMAS GLOBAIS
O
efeito estufa (processo físico que ocorre na atmosfera e provoca aumento de temperatura
causando imediatamente várias modificações ambientais)[1]
é dilema de ordem global e, quando analisado, observa-se a interligação do
desequilíbrio da biosfera com o sistema natural, em virtude aos
desflorestamentos seguidos de queimadas, a queima de combustíveis fósseis
contribuindo para o desequilíbrio da temperatura, redução da biodiversidade,
prejuízos às bacias hídricas, sem contar os danos aos solos, que retendo cada
vez menos água tornam-se solos pobres e improdutivos.
[1] O
assunto é objeto de estudo do capítulo 3.
Estas
informações nos fazem constatar como as florestas formam uma cadeia biológica
perfeita e rica, são verdadeiramente vitais a
todo organismo vivo que
habita o Planeta Terra.
O resultado da Convenção sobre
Alterações Climáticas (ECO-92)[1],
mostra como é imprescindível uma tecnologia limpa adequada em todos os níveis,
para diminuir a liberação de gases poluentes nos meios urbanos, como também a
proteção das florestas e promoção do reflorestamento[2].
Com referência ao nosso país, é significativa a avaliação dos impactos no clima
do Brasil, acumulando danos nas mudanças climáticas globais.
O
Protocolo de Montreal (1987), documento complementar da Convenção de Viena
(1985), resultou no Acordo Mundial para a Proteção da Camada de Ozônio. O
acordo do Protocolo de Montreal é
muito importante e contribui para impedir que tecnologias inadequadas se
mantenham em atividade; tem como finalidade a proteção da saúde humana e do
meio ambiente contra os efeitos nocivos das alterações da Camada de Ozônio[3].
Os
desmatamentos das florestas tropicais no Brasil ainda se mantêm acelerados.
Isto faz com que órgãos nacionais e internacionais unam-se para mudar o
cenário. O reflorestamento, sem dúvida, teria efeito positivo no aumento da
qualidade da superfície do solo.[4]
As chuvas e os reflorestamentos na
região Norte-Nordeste, serviriam de
amenizador da situação de seca existente, porém, não o bastante para reverter o
processo de desertificação, erosão, exaustão do solo na maior parte da região,
devido a própria história da geologia regional e ao excesso de exploração. Os
desflorestamento comprovam o desconhecimento dos valores reais da biodiversidade e têm constituído sério obstáculo para que
tomadores de decisões reconheçam a necessidade da conservação dos recursos
biológicos nos planos nacionais de desenvolvimento[5].
Quanto
à rica biodiversidade do Brasil, desaparecem da cadeia biológica espécies
importantíssimas, apesar dos esforços dos órgãos competentes na proteção.
[1]
Declaração da Conferência Rio 92 é anexo deste trabalho monográfico.
[2]
Kitamura, loc. cit., 23
[3]
SMA-Convenção de Viena para a proteção da Camada de Ozônio e o Protocolo de
Montreal sobre substâncias que destroem a Camada de Ozônio.
[4] CIMA,
loc. cit., 138
[5] Ibid.,
45..47
A
importância do uso manejado florestal sustentável da biodiversidade justifica investimento
em conservá-la, sobretudo em função do seu potencial para a biotecnologia, como
também, para o surgimento de novas culturas alimentícias e industriais. [1]
O Brasil, no complexo contexto do
sistema natural, tem contribuído para o combate do efeito estufa com a promoção
do controle dos desmatamentos na Amazônia e demais regiões do país. Outra
contribuição a ressaltar é à volta aos investimentos no PROÁLCOOL- Projeto
Nacional do Álcool, a utilização do álcool é um sucesso como combustível
ecológico, porque contribuí para minimização dos provenientes de gases
liberados pelos derivados do petróleo[2]. Um exemplo do Estado de São Paulo na
utilização de tecnologia limpa é a circulação de alguns ônibus coletivos
movidos a álcool e a gás natural. Outro fator de redução de poluentes foi o
rodízio de automóveis feito nos meses de inverno. Entretanto, o percurso econômico e ecológico que temos de fazer
é muito longo em termos de investimentos
em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia verde.
[1] Ibid.,
145
[2] Ibid., 42
2.3.2 O PAPEL DA UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS NO
DESAFIO DA GESTÃO AMBIENTAL BRASILEIRA.
“O
primeiro país que realizou intervenção sobre a responsabilidade da gestão
ambiental foram os EUA, na década de 60. Constataram a inexistência de recursos
humanos, recursos institucionais e instrumentos econômicos, criaram
jurisprudência adequada, transformando-a em instrumento legal. A legitimidade
governamental veio trazer a consciência ambiental que a sociedade americana
adquiriu. Porém, para isso contribuiu a tradição americana de solidez e
credibilidade das instituições públicas”. (Bursztyn, 1993: 86)
A
institucionalização da ação ambiental no Brasil, iniciou-se na década de 70,
com a Criação do Secretaria Especial do
Meio Ambiente-SEMA, um ano após a Conferência de Estocolmo/72. “Foi um ato simbólico do poder público, que
não prezou a Declaração dos Princípios de Estocolmo durante uma década”
(Bursztyn, 1993:87). A SEMA tinha o caráter mais de assessoria e de estudos, as
medidas concretas ficaram sob responsabilidade de diversos Ministérios, sem
qualquer vinculação direta com aquela Secretaria
o que facilitou a degradação ambiental, por parte das indústrias de
transformação, visto que não existiam mecanismos de controle e fiscalização.[1]
Com a lei nº 6.938/81, a Política
Nacional do Meio Ambiente tomou novo rumo, com novos objetivos e instrumentos
legais. Foi criado o Conselho Nacional do Meio Ambiente-CONAMA, composto de
representantes de órgãos governamentais da união, como também, instituições não
governamentais.
O CONAMA surgiu, portanto, como um
fenômeno atípico dentro de uma estrutura do setor público centralizadora e
pouco aberta à participação da sociedade civil.
A resolução 001/86 do CONAMA constituiu um marco da política ambiental
brasileira, ao instituir a obrigatoriedade da elaboração de estudos de impacto
ambiental para atividades potencialmente causadoras de danos ambientais. A
referida resolução, vista pela ótica da Gestão Ambiental, representou a
introdução da variável Meio Ambiente no processo decisório da alocação de
recursos produtivos públicos e privados. Isso foi possível, graças à associação
da avaliação de impacto ambiental ao sistema de licenciamento ambiental.[2]
O CONAMA empenhou-se sempre em
administrar o meio ambiente de forma adequada, visão esta ampliada pela própria
composição do conselho formada também por entidades sociais. Em 1986, foi criado
o Instituto Brasileiro Meio Ambiente-IBAMA, que foi resultado da fusão da
Secretaria Especial do Meio Ambiente-SEMA, Instituto de Desenvolvimento
Florestal-IBDF, Superintendência de Desenvolvimento da Borracha-SUDHEVA e
Superintendência de Desenvolvimento da Pesca-SUDEPE. [3]
O IBAMA apesar da descontinuidade de
suas administrações políticas, acabou tendo de assumir um papel bem mais
dinâmico. Sua estrutura, porém, não
comporta o atendimento de uma forte demanda social. A fragilidade institucional
não pode ser compensada pela amplificação de suas funções e pelo aumento da
legitimidade social de seu papel (ou seja, o agrupamento de Departamentos e
Secretarias num mesmo orgão, com formas administrativas diferentes)[4].
[4]
Ibid..,89
Segundo
Bursztyn, tais males atravancam o bom funcionamento do IBAMA. Esses males têm
origem na própria história do Brasil e podem ser sintetizados em quatro
categorias, que seguem:
1.
Problemas relativos à degeneração das
instituições públicas- Há uma grande contradição vivida pelo setor público
brasileiro: de um lado, a implementação de medidas regulamentadas de caráter
ambiental que exige instituições fortes,
sólidas e legitimadas, e de outro, o Estado com dificuldades de administração o
que comprova sua incapacidade de gerir adequadamente.
2. Problemas
relativos à cultura burocrática do aparelho do Estado-A área ambiental
enfrenta obstáculos específicos, característicos da própria transitoriedade,
fenômeno comum as atividades novas e de
abrangência como é o meio ambiente.
3. Problemas
relativos à fragilidade dos instrumentos e a carência de meios- Os
instrumentos são essenciais, seja de caráter econômico ou normativo: em termos
econômicos, há um profundo conflito de racionalidade ao uso sustentável dos
recursos e em termos normativos os conflitos se multiplicam.
4. Problemas
de natureza política- Todas as questões ambientais chegam a dimensões
políticas. Há algumas, porém, que merecem destaque devido a situação
institucional do meio ambiente:
a)
Atratividade-
Políticos clientelistas, como cientistas oportunistas, podem se ver tentados a
uma adesão pouco útil ao sucesso das políticas ambientais, este fenômeno se
chama “fisiologismo ecológico”.
b)
Visibilidade-
O meio ambiente deve manter-se sempre num grande espaço da mídia, porque isso
cria consciência ecológica social.[1]
c)
Banalização- Para atingir a massa, não se deve
apenas lançar um simples jargão, pois não implica necessariamente a compreensão
do seu significado.[2]
Acreditamos que política ambiental é
antes de tudo estrutura e prática jurídica corretas. O Brasil vem sofrendo
algumas transformações nos últimos anos, esperamos que se tornem legítimas,
éticas e creditícias todas as políticas brasileiras, pois somente assim alcançaremos
patamar para competir com os mercados de primeiro mundo que praticam as
regulamentações e adquirem certificados de qualidade ambiental. A globalização
propõe união cultural, política e econômica, como também, qualidade da produção
e do meio ambiente.
[1] No
Brasil alguns, canais televisivos transmitem propagandas e charges ecológicas
da WWF-Fundo Mundial para a Natureza e cartunistas brasileiros. É muito importante que tal ação se expanda a
todas emissoras, atingindo o maior público possível , aumentando assim a
consciência ecológica.
[2]
Burzstyn, loc. cit.,95..97
3 A ATIVIDADE PRODUTIVA DAS FLORESTAS TROPICAIS E O GERENCIAMENTO DO MERCADO ECOLÓGICO
“Desperdiçar e destruir recursos naturais,
despojar e exaurir a terra, ao invés de usá-la de modo a aumentar sua
utilidade, arruinará a única prosperidade que temos o dever e o direito de
legar ampliada e desenvolvida a nossos filhos.”
THEODORE ROOSEVELT[1]
3 de desembro de 1907
O
Consultor de reflorestamento das empresas Klabin Papel & Celulose, Evaristo
M. Lopes, traça alguns parâmetros sobre as atividades produtivas e o mercado
verde: “Esta provado técnica e
cientificamente que as florestas plantadas estão chegando em todas as partes do
mundo, notadamente, nas regiões tropicais e subtropicais, como forma de
proteção aos estoques ainda remanescentes de florestas naturais e, também, como
fonte supridora de grande parte dos 3,5 bilhões de madeira que o mundo consome
e que as florestas não mais podem fornecer. Quanto ao aspecto da produtividade,
os resultados no desenvolvimento técnico florestal têm sido crescentes e
constantemente teremos notícias de incrementos fantásticos para os quais têm
contribuído decisivamente na investigação, que envolve a qualidade das
sementes, os melhoramentos genéticos, os bancos genéticos, os testes de
progênie, a micropropagação vegetativa, as avaliações de solos e tantos outros” (Lopes,
1996:33/34).
[1] In:
Mudando o Rumo, 1992, III
As
empresas de papel e celulose brasileiras praticam a técnica de silvicultura a
cerca de 15 anos, o que lhes traz
inúmeras vantagens produtivas e econômicas, como também buscam o equilíbrio do
ecossistema natural, desenvolvendo habilmente os recursos naturais com
planejamento de estoque futuro com florestas plantadas.
Quando falamos de atividades produtivas envolvendo florestas, lembramo-nos
das indústrias moveleiras, naval, papeleiras, celulósicas, tecnológicas,
biotecnológicas, madeireiras, entre outras. As atividades produtivas e
econômicas estão intrinsecamente ligadas, formando um ciclo econômico que a
todo instante cria empregos diretos e indiretos, transferindo renda e
dinamizando desde as simples atividades até as mais complexas, e que nos
últimos anos estão sendo reformuladas através da consciência da economia
ecológica de mercado nos países de primeiro mundo.
Para
alcançarmos noção da importância das florestas tropicais e subtropicais do
mundo nas atividades produtivas, demonstramos os percentuais negativos da
exploração inadequada na ilustração gráfica seguinte:
Fonte: Salve a Terra, 1993:30
Os
percentuais do gráfico fazem-nos observar como os desequilíbrios dessa forma de
mercado predatório causaram danos irreparáveis em quase metade das florestas
tropicais e subtropicais do mundo. As florestas remanescentes que ainda existem
estão protegidas por orgãos governamentais.
Devido ao avanço desenvolvimentista
predatório das últimas três décadas, mudanças conceituais surgiram e novos
rumos indicam alternativas sustentáveis para os âmbitos
econômico-ambiental-social-político. Homens como Mikail Gorbachev, tem lembrado
da necessidade de cuidados com o meio ambiente e em seu pronunciamento na
reunião internacional RIO+5 Carta da Terra e do Povo, salientou: “Temos de chegar a um consenso sobre novos
valores, pois a natureza não precisa de nós, somo nós que precisamos da
natureza, se não revertermos o processo de destruição ecológica, a natureza
poderá viver sem nós”(Gazeta Mercantil, 18/3/97, A-1).
3.1 OS DESFLORESTAMENTOS E AS QUEIMADAS NO
BRASIL
Os
desflorestamentos, as queimadas de florestas, a queima de combustíveis fósseis
e o efeito estufa fazem parte de uma
cadeia deteriorante no planeta, em que o homem desconhece a
complexidade e não exerce o controle nem o poder. Tais efeitos não afetam
apenas o local onde ocorrem os danos ecológicos, como se tornam assunto do meio
ambiente global, resultado da ação humana no desenvolvimento sem princípios nem
critérios na utilização dos recursos naturais.
“No caso brasileiro, as coberturas florestais
originais sofreram pouca pressão de uso até meados do século passado, quando
então o aumento populacional e as crescentes necessidades de exportação de
produtos primários promoveram um avanço desordenado das atividades humanas
sobre os recursos naturais. A utilização irracional dos recursos redundou na
destruição de vários biomas e biomassas”[1]
(Bruni, 1987:3).
“A vegetação brasileira constitui um dos mais
importantes recursos naturais renováveis, sendo fator preponderante para a
conservação da água, do solo e da fauna, além de ter influência direta sobre o
clima e a paisagem”.[2]
Isto significa que a vocação florestal
reside nas terras brasileiras pelas propriedades que possui como tipos variados
de solo, clima, bacias hídricas, produzindo até em solos impróprios à
agricultura e pecuária.
Devido ao esgotamento do solo, pelo
desflorestamento desordenado, pela monocultura e pecuária, é sugerido pelos
técnicos agrícolas e pesquisadores do Instituto Brasileiro Desenvolvimento
Florestal-IBDF, que na medida do possível sejam promovidos o desenvolvimento e aplicação do sistema agrosilvopastoril (consórcio entre agricultura, pecuária e florestas), para o uso múltiplo da terra e a recuperação da área degradada, além de criar economicidade rural, no desenvolvimento de outras atividades.
[1] Bioma (o
mesmo que biota) - conjunto de seres vivos. Biomassa – qualquer matéria de
origem vegetal utilizada como fonte de energia.
[2] Ibid., 7
O
impacto que o homem causa no meio ambiente passou de regional para assumir hoje
um caráter global. Os exemplos mais conhecidos no momento, em termos de efeitos
globais são os provocados pelos desflorestamentos, a diminuição da camada de
ozônio e o aumento do efeito estufa que implica no desequilíbrio do meio
ambiente. Torna-se cada vez mais importante monitorar certos parâmetros de
poluição para que se reduza os impactos ambientais. “O homem moderno deve ser capaz de prever como diferentes organismos
responderão às mudanças ambientais, tanto em seu metabolismo como
geneticamente, bem como estas reações tenderão a influenciar o ambiente. Para
isto é necessário medir, registrar, e avaliar em escala global e local”(kirchoff,
1992:18).
Há
consenso entre os técnicos do IBDF e Kirchoff de que as queimadas das florestas de nada adiantam aos solos sem
reservas adequadas dos nutrientes básicos como nitrogênio, fósforo, calcário e
potássio, entre outros. Os solos nestas condições tornam-se impróprios para a
agricultura e pecuária, porém, próprio para silvicultura intensiva (prática
comumente desenvolvida pelas e empresas de papel e celulose).
A
sobrevivência da biomassa nesses ambientes de queimadas são muito mais
difíceis. Geralmente as árvores destas regiões são pequenas comparadas às árvores da floresta tropical
úmida; são árvores retorcidas e de tronco enegrecido em virtude, de tantas
queimadas que já suportaram. “Algumas
destas árvores só conseguem sobreviver se, na época crítica houver um período
de tempo em que não haja queimada, para que assim possam desenvolver-se acima
de certo nível mínimo, em que tenha atingido robustez suficiente para
sobreviver a combustão”.[1]
“As queimadas das florestas contribuem para o
efeito estufa, pois liberam gás carbônico (CO2), diretamente no processo de
combustão, que em contato com outras substâncias no ar produzem outros gases
poluentes”.[2]
No Brasil, os principais tipos de queimadas são:
pequenas queimadas de beira de estrada, queimadas de palha de cana-de-açúcar,
queimadas no cerrado e queimadas em desmatamentos florestais. Destacaremos as
queimadas dos cerrados e dos desmatamentos florestais, que tomam dimensões cada vez maiores no território nacional e são muito criticadas pelas comunidades científicas, ecológicas e até econômicas internacionais.
[1] Ibid.,
27
[2] Ibid.,
33
As
queimadas nos cerrados brasileiros alcançam anualmente cerca de 15% de área. “Em parte, estas queimadas são exageradas e
desnecessárias. A região do cerrado tem épocas de estiagem muito longas, o que
permite a combustão da vegetação seca com grande facilidade. Este tipo de
queimada contribui para emissão de poluentes particulados e gasosos”.[1]
A adoção do recurso das florestas plantadas de crescimento rápido como pinus e
eucalipto forneceria tal produto, desta forma diminuindo a pressão às florestas
nativas e consequentemente à biosfera.
As
atividades produtivas de carvão vegetal tem destinação ao uso das indústrias
siderúrgicas, metalúrgicas e de cimento (a indústria siderúrgica é a principal
e maior usuária), e sempre estiveram associadas à desvastação ambiental. A
atividade provocou e ainda provoca ( com muito otimismo, em menor escala)
impactos ambientais como: 1) desmatamentos de florestas nativas em grande
escala, 2) a implantação de florestas homogêneas, 3) a atividade de
carvoejamento, a partir de matas nativas (Ab’Saber, 1990), (Kitamura, 1994),
(Cavalcanti, 1995), (May, 1995).
São
diversas as consequências que provocam o elevadíssimo índice de emissões de
fumaça. “Tanto as carvoarias quanto a
maioria dos alto-fornos que utilizam o carvão vegetal são focos de geração e
emissão de poluentes como: CO2, CO, particulados, deposição de pós e sólidos
escória[2]
e finos de carvão. Na época das queimadas, há aumento da erosão hídrica e não
raro a formação de vossorocas[3]
e a modificação do regime hídrico dos
rios”(Medeiros, 1995:369).
“A
tecnologia para atividade de carvão vegetal ainda é primitiva. Além desse
aspecto a tecnologia empregada libera gases, milhares de toneladas de
componentes químicas. Desse processo de carbonização aproveitam-se de 30% a 40%
da madeira na formação de carvão vegetal. O restante é simplesmente lançado na
forma de gases. Foram detectados, até o momento, aproximadamente 100 compostos
químicos orgânicos, presentes nos gases da carbonização da madeira”(Brito,
1990:224).
[1] Ibid.,
36
[2] Escória
– são resíduos silicosos que se formam juntamente na fusão dos metais.
[3]
Voçorocas – erosão acelerada pela água nos terrenos
As
queimadas em desflorestamentos e desmatamentos ocorrem na região amazônica,
principalmente, e também em todo o território nacional. “As maiores taxas de queimadas ocorrem nos Estados de Rondônia, Mato
Grosso, e Sul do Pará. Estas queimadas contribuem diretamente para alimentar o
efeito estufa pela emissão de CO2, aumentando sua concentração na atmosfera, e
indiretamente pela produção de outros gases.
Nas regiões tropicais, as queimadas são causa de concentrações elevadas de
ozônio na baixa atmosfera que prejudicam a saúde de todos os seres vivos”.[1]
As consequências das queimadas em grande
escala criam prejuízos para fauna e flora, rios e lagos, microorganismos,
insetos, enfim prejuízo ao equilíbrio dos ecossistemas. Com referência aos
prejuízos, esclarecemos o que seja exatamente o aquecimento do planeta, o
chamado efeito estufa.
“A terminologia efeito estufa resultou da
comparação que se fez com uma estufa de plantas, em geral de vidro e fechada,
onde os raios solares na região espectral do visível podem penetrar o vidro,
sendo refletidos por ele na região do infravermelho.[2]
A analogia presta-se as camadas
atmosféricas, acredita-se que o calor gerado na estufa deve muito mais ao fato
de ser estufa um recinto fechado, onde falta a ventilação e mantém o calor. [3]
O efeito estufa surgiu com a constatação de que o gás carbônico CO2 presente na
atmosfera tem sua concentração aumentada continuamente. O efeito estufa é um
processo físico que acontece na atmosfera e que provoca um aumento de
temperatura causando imediatamente várias modificações no meio ambiente. O
aumento de temperatura não leva somente a mudanças climáticas, e sim a várias
outras mudanças ambientais”.[4]
“O gás
carbônico CO2 é um gás estável que não reage quimicamente no meio ambiente
normal da atmosfera, cujo excesso é produzido por diversos processos de combustão. O dióxido de carbono CO2 é o
principal gás do efeito estufa natural. Com a grande revolução industrial e a
utilização do combustível fóssil (carvão e petróleo) na maioria dos processos
industriais.”[5] O excesso de CO2 é produzido pela ação do homem
em grandes quantidades e que interferem no equilíbrio radiativo[6]
do planeta como apresenta a ilustração:
[1] Kirchoff,
loc. Cit., 36
[2]
Infravermelho – é a região em que as ondas transmitem o calor.
[3] Ibid.,
42
[4] Ibid.,
39
[5] Ibid.,
53
[6] O equilíbrio se mantém através da camada de ozônio, que absorve a radiação ultravioleta (UV-B) do sol, antes mesmo de atingir a superfície terrestre.
Fonte:
Kirchhoff, 1992:79
O
que atenuaria a fixação desse gás excedente é a criação de biomassa florestal
em grandes escalas em todo o planeta. Podemos verificar como o efeito estufa
afeta os diferentes níveis da vida humana, da fauna e da flora e no complexo
sistema natural.
Como
vimos o efeito estufa atinge todo o meio ambiente e se constata a grande
importância das florestas nativas e plantadas nas condicionantes ambientes. “As florestas vêm exercendo a função de
abrigos consorciados para fauna e flora, como também: a função de elementos de
fixação no solo das precipitações pluviométricas, função estabilizadora de
solos degradados, função de elementos construtivos à melhoria da qualidade dos
recursos hídricos, função geradora de inúmeras matérias-primas, produtos
celulósicos, papeleiros e madeiráveis, inclusive o menos visível, no entanto,
muito importante, a função do resgate e fixação de gás carbônico-CO2”
(Lopes, 1996:33).
A função do resgate e a fixação do excesso de
gás carbônico são realizadas pelas plantas que retiram o CO2 da atmosfera,
efetuam o processo de fotossíntese, incorporando o carbono-C em seu processo
biológico e liberando o oxigênio O2 para a atmosfera. “Existe a possibilidade de que o processo da fotossíntese seja
acelerado, isto é, espera-se em determinadas condições que o aumento de CO2 na
atmosfera funcione como uma espécie de adubo, através
do qual as florestas poderiam crescer mais rapidamente. Há outras indicações,
no entanto, que sugerem que as concentrações de CO2 poderão causar destruição
de algumas florestas existentes”.[1]
Para
que os acordos pró-ambientais se realizem, instituições nacionais e
internacionais, governamentais e não-governamentais, organizam-se e são
coordenadas pela ONU, buscando juntas a reconstrução
sócio-econômico-político-ambiental do planeta que a globalização favorece.
[1]
Kirchhoff, loc.cit., 81
3.2 ECONOMIA
FLORESTAL
A
ciência florestal [1] se
compõe de ramos e sub-ramos dos quais destacamos: silvicultura, biotecnologia,
manejo florestal, tecnologia florestal, dendometria[2],
e economia florestal (Bicudo & Veiga, 1971:7).
A
economia florestal envolve todos os ramos e sub-ramos da ciência florestal que
estão ligados à produção, rendimentos e resultados econômicos das florestas
plantadas ou nativas.
Segundo
de Paula Lima “a silvicultura é um ramo
da ciência florestal e está contida na economia florestal que consiste no trato
de propagação e cultivo das florestas naturais e plantadas. A floresta plantada
é técnica originaria da Alemanha, datada de 1800, e que se expandiu para
América do Norte por volta de 1890,
sendo desde então reconhecida a profissão de engenheiro florestal na América do
Norte. A silvicultura é técnica de otimização de matéria-prima, portanto utilizada
para evitar a escassez dos recursos florestais. O objetivo da silvicultura é o
rendimento sustentado, pois produz continuamente madeira comercial. Outro forte
motivo na criação da técnica de floresta plantada foi o de combater o cortar e abandonar áreas, propiciando a
partir daí o manejo intensivo das florestas” (de Paula Lima, 1976:4).
Lupatelli, explica que: “ o rendimento sustentado é a base para o manejo de recursos naturais. A
capacidade de rendimento sustentado que uma floresta apresenta de produção de
madeira comercial, é o guia funcional e operacional desse manejo florestal,
utilizada pelas indústrias de empreendimentos florestais. O reflorestamento é a
única atividade agrícola que pode ser desenvolvida em terras marginais, sem qualquer prejuízo e com a possibilidade
adicional de recompor os solos, e recuperá-los em áreas degradadas por incúria
ou uso impróprio”(Lupatelli,
1977:3).
Em 1966, com a implementação dos
incentivos fiscais, o reflorestamento no Brasil tornou-se uma operação de
grande escala. Segundo informações do IBDF os projetos de reflorestamento com
incentivos fiscais totalizaram cerca de 6,2 milhões de hectares, sendo que 52%
com eucalipto e 30% com pinus. O incentivo de base florestal foi extinto em 1987.
A técnica de silvicultura propicia
consórcio com atividades ligadas ou não à madeira, como floresta e indústria
não poluente, floresta e açude preservando a mata ciliar[1],
consórcio de florestas nativas e florestas plantadas, florestas e agricultura
(que recebem o nome técnico de agrosilvicultura), florestas e pecuária (que
recebem o nome técnico de silvopastoril) e ainda no consórcio de florestas,
agricultura e pecuária(que recebem o nome técnico de agrosilvopastoril) prática
esta muito incentivada para o uso múltiplo e adequado da terra.
Os novos valores de preservação e manejo sustentável
da floresta recebem terminologia de “investimentos ecológicos” ou “fundos
verdes de longo prazo”, termos aplicados pela visão holística da economia, que
demonstra como o gerenciamento verde enxerga os gastos com o desenvolvimento,
progresso e proteção ambiental. Estes gastos são vistos como investimentos,
capacitando inclusive a indústria para competição no mercado futuro, uma vez
que há planejamento de seus estoques de recursos naturais e renováveis. A
empresa integrada desta maneira realiza o processo de desenvolvimento
sustentado (Capra, 1994),(Jöhr, 1994),(SBS,1996).
É na integração econômica do meio
florestal que o ecodesenvolvimento desponta, sejam nas indústrias de
empreendimentos florestais ou nas propriedades rurais, buscando o quadro menos
alterado do meio ambiente, resultando no conjunto de soluções observadas na
ilustração seguinte:
Fonte: SBS, 1996, n. 68: 23
Fonte: SBS, 1996, n. 68: 23
[1] Ciência
florestal é tecnicamente denominada dasonomia
[2]
Dendometria é medição de árvores, planejamento e análise
[3] Mata beiradeira ou ciliar é aquela que rodeia as margens de rios, lagos e mares
Soluções
que reduzem a exploração de matas nativas; colaboram para a permanência do
homem no campo; combatem a desertificação; contribuem na absorção do gás
carbônico da atmosfera, promovendo a diminuição do aquecimento do planeta, o
chamado “efeito estufa”; e abrigam a flora e fauna.
A
técnica de silvicultura é parceria comum entre agricultores e empresas de celulose e papel em todas regiões do país,
através de um contrato especial de uso da terra, é a empresa que conduz o
programa de fomento florestal, fornecendo assistência técnica, mudas clonais e
fertilizantes. O agricultor, por sua vez, cede suas terras improdutivas e ainda
é estimulado ao uso dos espaços entre as fileiras de florestas plantadas, onde
são cultivados alimentos como cana-de-açucar, trigo, abóbora, tomate, soja,
melancia, batata-doce, alimentos que liberam macro e micronutrientes. Os cultivos
destas espécies de vegetais trazem a vantagem de cobrir o terreno rapidamente,
ajudando no controle de ervas daninhas.[1]
Como vimos à
silvicultura consorcia-se muito bem com as demais atividades econômicas
ecológicas, em todas as regiões brasileiras, devido a qualidade ímpar que
oferecem os solos brasileiros (mesmo os degradados). As florestas plantadas
tornaram-se “negócios verdes de longo prazo” e são chamados de econegócios. As
florestas plantadas promovem ação abrangente, criam desenvolvimento social e
econômico, mantendo o homem produzindo no campo, como também, contribuem para
melhoria climática e fixação do excesso de CO2 da atmosfera.
Os
projetos de reflorestamento silvicultural intensivo são utilizados nos setores de base florestal. Dentre muitos projetos destaca-se, o megraprojeto FLORAM
elaborado pelo Instituto de Estudos Avançados-IEA da USP que veio contribuir
para a vocação florestal das terras brasileiras, e tem elaborado e aprovado
projetos específicos para cada região brasileira, com características
específicas e espécies adequadas para os reflorestamentos antrópicos,[2]
reflorestamentos exóticos,[3]
reflorestamentos corretivos,
[1] SBS,
n.67, 1996, 10..14
[2] Diz-se
das vegetações resultantes da ação do homem sobre a vegetação natural.
[3] Toda
planta que não é nativa ou indígena, diz-se da essência florestal introduzida
em nosso meio, após sua aclimação ou adaptação.
“O projeto FLORAM defende a ideia de
preservar o máximo possível das florestas amazônicas e os remanescentes da mata
atlântica. O megaprojeto FLORAM destaca a economicidade que pode ser
desenvolvida nas regiões brasileiras a serem reflorestadas no prazo de 20 a 30
anos”,[3] tornando
efetivo o ecodesenvolvimento, o ecogerenciamento, a ecotecnologia, a
biotecnologia, o manejo florestal sustentável, a agrosilpastoril. Eis algumas
das práticas de silvicultura no território nacional:
1)
Experiências com silvicultura
na faixa depredada do “Corredor Carajás-SãoLuiz”, para atender unidades
siderúrgicas em implantação, evitando-se o uso de carvão vegetal feito com
madeira de florestas nativas.
2)
Experiência de expansão da silvicultura nos campos do
Amapá, onde existem cerrados naturais, muito degradados, de características
químicas ruins do solo.
3)
Reaproveitamento contido das
experiências florestais realizadas no “Projeto Jari”, para efeito de utilização
de seus padrões de tecnologia melhor sucedidos, e projetados para outras áreas
do país.
4)
Proibição, por todos os meios,
qualquer devastação de grandes glebas amazônicas para posterior implantação de
reflorestamento com espécies exóticas e exame, com extremo cuidado, da conveniência
ou não de liberar glebas predadas, para fins de silvicultura industrial.
Estas são algumas das diretrizes do megaprojeto
FLORAM que: “no seu conjunto, os
diferentes tipos de esforços geográticos e sociais que compõem o território
brasileiro constituem heranças naturais e históricas, que solicitam planos
regionais sob tratamentos inteiramente diversificados. É mais do que isso, no
que respeita às grandes áreas da natureza tropical (relativamente pouco
preparada) há que adotar modelos totalmente diferenciados de tratamento,
recorrendo-se aos princípios do ecodesenvolvimento. Trata-se, no caso,
especificamente do grande espaço de terras baixas reflorestadas no norte do
país, a Amazônia, para a qual todas as melhores cabeças de cientistas
preparados e sensíveis estão voltados, numa busca tão permanente quanto
metódica, de modelos e estratégias ecodensenvolvimentistas”(Ab’Saber, 1990:22).
O megareflorestamento que favorecerá o sequestro
de 7,7 tC. hectare/ano,[6] no prazo
estimado pelos especialistas de 20 a 30
anos de recuperação, a partir das medidas de reflorestamentos implantados,
visando viabilizar a economia, nas regiões brasileiras.
O
aumento da consciência sobre a necessidade de preservação ambiental, poderá ser
um argumento para minorar o uso abusivo de madeira em vias de extinção, assim
como o aprimoramento da exploração auto-sustentada, que contribuirá para o
paradigma do desenvolvimento sustentável.
[1]
Cruzamento de diferentes espécies.
[2]
Ab’Saber, 1990, 26..30
[3] Ibid.,
15
[4] Pequeno
intervalo, entre as partes de um todo
[5] Ibid.,
26/27
[6] Ibid., 91
3.3 ESTUDO
DE VIABILIDADE ECONÔMICA ECOLÓGICA NO REFLORESTAMENTO DO BRASIL.
Dentro
dos estudos de viabilidade econômica ecológica das florestas tropicais
brasileiras, temos muitos comentários a tecer sobre alguns dos projetos
existentes, que em sua maioria, estão englobados pelo megaprojeto FLORAM. Tal
projeto tem a ousadia de propor a realização da cobertura vegetal do território
nacional. O FLORAM é projeto reconhecido internacionalmente como trabalho de
reflorestamento imprescindível, para o sequestro do excesso de CO2 da
atmosfera, consequentemente influenciado com a redução gradual do
desaquecimento do planeta, assim como na ação conjunta a inúmeras medidas
antipoluentes previstas no Protocolo de Montreal.
É
correto afirmar que o FLORAM é um projeto imprescindível? A resposta é positiva
e deve-se aos aspectos históricos, topográficos, geoecológicos e
fitogeográficos brasileiros, que favorecem a economia que for desenvolvida com
uso adequado da terra, significando vocação florestal no território nacional.
Iniciamos
o estudo de viabilidade econômica ecológica para reflorestamento com as
Florestas Nacionais-FLONAS, que na década de 80 cresceram significativamente em virtude da nova visão do
desenvolvimento sustentável, apesar deste conceito ter alcançado prestígio
apenas na ECO92. No quadro de evolução da área protegida por categoria de
manejo de unidade de conservação e por década, em nível federal, verificamos
que na década de 80 criaram-se áreas verdes de 24.872.924 hectares, enquanto
que na década de 90 passamos a um acumulado de 32.469.237 hectares,[1] com o
surgimento de conservação de áreas silvestres, um aumento de 31%. No entanto
esse percentual é pequeno, comparado a extensão territorial nacional. O projeto
FLORAM propõe multiplicar muitas vezes esse percentual e o tipo de atividade
econômico-ecológica-social que as FLONAS promovem.
As FLONAS tem se consolidado como aliadas ao esforço conservacionista, procurando demonstrar, na prática, a viabilidade do manejo integrado e sustentável dos recursos florestais, mantendo a biodiversidade e a integridade social.[2]
Fonte: SBS, n. 56:29
O gráfico
permite visualizar o aumento progressivo das áreas verdes até a década de 90.
Estes hectares englobam parques nacionais, reservas biológicas, estações
ecológicas, áreas ambientais protegidas, florestas nacionais e reservas extrativistas,
sendo que em nosso país são apenas 39 florestas nacionais, com área de
12.613.700 hectares, número pouco significativo perante as dimensões
territoriais brasileiras, que possui espaços suficientes para criação de
inúmeras FLONAS, com caráter de uso múltiplo para beneficiar as regiões onde
estivem formadas.
As FLONAS existentes têm problemas estruturais antigos
e profundos, que comprometem em maior ou menor grau sua gestão eficiente.
[1] SBS, n.
56, 28 – estes hectares englobam parques nacionais, reservas biológicas,
estações ecológicas, áreas ambientais protegidas, florestas nacionais e
reservas extrativas.
[2] SBS, n.
56, 1994, 29
O sistema de florestas nacionais
possui um grande papel a cumprir no desenvolvimento do setor florestal, segundo
a engenheira agrônoma Eliete Matioli, “o
Brasil há que descobrir as FLONAS, conhecendo sua importância, seu valor e
dotando-as de condições para que cumpram seus papéis desenvolvimentistas.”[1]
Outro
projeto importante que destacamos é o Plano de Desenvolvimento Florestal
Sustentável-PDFS, elaborado pela Fundação Florestal, em 1993, instituição
vinculada à Secretaria do Meio Ambiente do Estado, que estabeleceu o
desenvolvimento sustentável em São Paulo. O PDFS é um conjunto de esforços de órgãos
públicos, empresas e organizações civis afetas ao setor florestal paulista. O
PDFS tem três grandes estratégias: 1) proteção e conservação das florestas; 2)
utilização sustentável das florestas; 3) educação ambiental para uso adequado
das florestas.
A
meta do PDFS é o plantio de quatro milhões de hectares com florestas nativas e
exóticas nos próximos 25 anos, o que deverá gerar um milhão de novos empregos,
criando resultados econômicos concretos, e sobretudo adequação social e
equilíbrio ecológico. O planejamento do PDFS baseia-se no ZEE-zoneamento
sócio-ecológico-econômico, para a execução de ações coordenadas dos programas.
As diretrizes e programações encaixam-se perfeitamente nas propostas do
megaprojeto FLORAM. Como demonstra a ilustração do PDFS, a economicidade está
envolvendo atividades como fomento,[2] produção
de sementes e mudas clonais ou híbridas (biotecnologia), recuperação de
microbacias, proteção vegetal natural, tecnologia adequada, alternativas
produtivas sob enfoque de uso múltiplo da terra e dentro de uma perspectiva
ambientalista, criando um mercado sustentável, e principalmente a manutenção da
biodiversidade e a fixação do excesso de carbono da atmosfera (PDFS, 1993),
(Ab’Saber, 1990).
Segundo a ilustração do PDFS, o governo do
Estado de São Paulo busca melhorias para o meio ambiente assim como a qualidade
de vida urbana e do campo. Em São Paulo, “o
aumento contínuo de consumo das populações urbanas pressiona a demanda por produtos derivados das florestas, nas suas
mais variadas formas. O consumo de papel continuará a crescer, tanto nacional
como internacionalmente. No entanto, estará limitado por uma oferta de
matéria-prima florestal estagnada em nível mundial.
[1] SBS, n.
56, 1994, 33
[2] Fomento
é a promoção do desenvolvimento e do progresso nas florestas.
Se mudanças econômicas ecológicas ¾ portanto sustentáveis ¾ não forem adotadas rapidamente, a crise de fontes
energéticas se estenderá e continuará sendo uma ameaça para os subsetores
dependentes de combustíveis fósseis e a biomassa terá papel crescente na matriz
energética paulista” (PDFS, 1993:6).
“O PDFS
propõe o plantio de árvores nas propriedades rurais, o que significa a médio e
longo prazos uma baixa sensível nos custos de produção agrícola, através de
menores gastos com conservação do solo, que combate as pragas e doenças,
compras de materiais para cercas e construções, abastecimento energético, além
das alternativas produtivas que as florestas oferecem, como apicultura, cultivo
de cogumelos, exploração de resinas e óleos essenciais, exploração de plantas
medicinais, aromáticas
e ornamentais”(PDFS, 1993:8). Sem dúvida é
contribuição de inestimável valor para esta cadeia progressista e
desenvolvimentista.
A
educação ambiental é ponto indispensável do PDFS, pois é ela que desenvolverá
uma nova consciência. Este conjunto de esforços é compartilhado por
organizações sociais, científicas, privadas e públicas, com o objetivo de
desenvolver a tecnologia adequada, o manejo florestal sustentável,
desenvolvimento e progresso das regiões e tudo isso será alcançado com a
introdução da educação básica associada a educação ambiental e treinamento para
múltiplo uso dos recursos naturais. A meta do PDFS está estabelecida nos novos
rumos da ação governamental: 1) frear o processo de degradação ambiental; 2)
reverter o processo de pré-desertificação de algumas regiões; 3) proteger e
aumentar os mananciais; 4) colaborar na fixação do excesso de CO2 atmosférico
na forma de fitomassa; 5) desenvolver técnicas de produção auto-sustentada, com
a devida proteção do meio ambiente; 6) desenvolver uma consciência ambiental na
população; 7) estabelecer uma cooperação efetiva entre estado, entidades
científicas, empresas e demais organizações civis, para viabilização a
implantação das programações previstas; As perspectivas sócio-econômico
resultam na: 8) redução de custos em
propriedades rurais, no município e estado; 9) aumento da arrecadação pública,
diretamente pelo aumento da produção e indiretamente pela utilização de
insumos, serviços e mão-de-obra, além do incremento geral à indústria; 10)
geração de empregos (PDFS, 1993:11/12).
Além
dos tópicos que destacamos, outro aspecto importante do PDFS são as
formas para obtenção de recursos financeiros. O PDFS torna claro que a
sustenção financeira é pela parceria, que será fonte relevante de
financiamento. Os recursos são oriundos da reposição obrigatória, estimada em
US$ 20 milhões/ano para o Estado, estes recursos acumulados chegariam a US$ 1
milhão, sustentando cerca de ¼ dos
custos previstos para os plantios.
São
alguns dos parceiros: as instituições como o Fundo Mundial para Natureza-WWF, a
União Internacional de Conservação da Natureza-IUNC, o Banco da Alemanha e o
Banco Mundial, possuidores de verbas que poderão ser alocadas a esses programas
ambientais. Existe também a possibilidade de se obter recursos provenientes de
renegociação da dívida externa brasileira, sendo objeto de procedimentos mais
complexos.
No campo de
pesquisa e desenvolvimento, tecnologia e biotecnologia, os suportes básicos são
fornecidos pelas universidades e organismos especializados, como também, há o
fundo para desenvolvimento, Fundo Florestar, que é gerido pela iniciativa
privada (aliás instrumento indispensável para a eficiência da atuação
setorial).
Outra forte ação na recuperação
florestal de São Paulo são as atividades das 12 associações de recuperação
florestal credenciadas pelo IBAMA, desde meados dos anos 80. Tais associações
que estão espalhadas pela grande São Paulo somam hoje 5.013 projetos florestais
com pequenos e médios produtores, o que representa 33 milhões de árvores
plantadas em torno de 13.500 hectares, servindo inclusive, de modelos de apoio
para o fomento florestal de outras regiões do país.[1]
Para que o PDFS torne-se viável é
necessária uma gestão florestal eficiente. Para tanto, houve na década de 80, a
descentralização dos órgãos federais, permitindo maior autonomia aos estados e
municípios da Confederação. No
que se refere à área florestal, ainda perdura uma série de indefinições, já que
no âmbito federal vige o código florestal ainda com aspectos do setor remetidos
à lei agrícola. Da mesma forma em São Paulo, o tratamento legal da atividade
florestal está dividido entre os setores agrícola e ambiental. Elaborou-se uma
adaptação do código florestal às condições do estado de São Paulo, incorporando
a ZEE e normas de utilização dos solos e da vegetação, calcada em parâmetros
técnicos para uso dos solos e balanços hídricos[2]
Temos no centro-oeste do país, no Estado do Mato Grosso do Sul,
associações que desempenham papel importante. Segundo Edison Grava Reis,
presidente da Associação Flora Sul, com existência de três anos, já são 96
projetos especiais propostos de plantio de 1.100.000 mudas de eucaliptos
diversos e outras espécies, com previsão de
mais 270.000 mudas.[3]
Ainda
no estado do Mato Grosso do Sul, temos outro exemplo de negócio verde na
empresa Cáceres Florestal, que desde 1971 pratica silvicultura de árvores
possuidoras de madeiras nobres, por verificarem a redução das reversas de mogno
e outras espécies exaurindo-se. A espécie mais cultivada pela empresa, tem o
nome técnico de “Tectona grandis”,
conhecida popularmente como TECA. É uma árvore de grande porte, natural das
florestas tropicais do sudeste asiático, valorizada internacionalmente pelo múltiplo uso.
A espécie TECA é possuidora de qualidades como estabilidade, durabilidade, resistência
a fungos e brocas da madeira, e de aspecto visual agradável. A TECA é hoje
sinônimo de madeira comercial.[1]
[1] SBS, n
65, 1996,5..8
[2]
PDFS,loc.cit.,39
[3] SBS,n. 66, 1996, 42
[4] SBS, n. 43, 1992, 16..19
No estado
de Minas Gerais, na década de 70 praticavam silvicultura intensiva, processo
que se estendeu até meados da década de 80, através do fundo de desenvolvimento
setorial. O que resta hoje é insuficiente para consumo. O estado de Minas
Gerais está voltando ao nível de plantio de 120.000 hectares anuais de
florestas. O presidente da Associação Brasileira de Florestas
Renováveis-ABRACAVE, Marco Aurélio Machado, diz ser fundamental defender os
projetos de reflorestamento de todas as formas: corretivos, híbridos e
silvicultura intensiva. Machado
adverte, “a medida racional é que reformem as florestas plantadas antigas e
voltem a implantar em todo o estado de Minas Gerais, o programa fazendeiro
florestal, desenvolvido pela ABRACAVE desde 1987. Tal programa trata de
parcerias entre proprietários rurais e empresas, em que a empresa fornece
fomento florestal: orientação e assistência técnica, muda, adubo, e isca para
combater formigas cortadeiras.” O
reflorestamento cria economicidade extraordinária para as regiões e segundo o
plano da ABRACAVE serão gerados 32.000 empregos diretos, acrescidos da oferta
de mais 5.000 empregos para manutenção das florestas. Se forem praticados o uso
múltiplo nas florestas plantadas, os benefícios serão ainda maiores.[1]
O Panorama da região sul do país,
também se encontra deficiente na área de reflorestamento. No estado do Paraná
explica o engenheiro agrônomo Mazuchowski, da EMATER-Paraná, que o setor
florestal no tocante à economia das florestas tem problemas sérios. Há
remanescentes das florestas subtropicais concentrados na Serra do Mar e parte
da Mata Atlântica, assim como pequenas áreas como parques e reservas privadas
e/ou públicas. O estrangulamento do setor florestal foi inevitável, pelo
abandono e ausência de programas de fomento florestal, por desinteresse do
setor industrial, excetuando-se a indústria de papel e celulose, pela falta de
planejamento e estratégias conjunturais e operacionais que afetaram os setores.[2]
[1] SBS, n.61, 1995, 39/40
[2] SBS,
n..61,1995, 13
Com o
aumento de dificuldades no estado, criaram-se as alternativas agroflorestais,
que consistem em priorizar a integração da atividade florestal na propriedade
rural. A agrosilvopastoril
representa o grau de integração econômica ecológica, segundo Mazuchoswki, pois
se interligam florestas, agricultura e pecuária, criando fontes de renda para a
região.
Na difusão da agrosilvicultura,
serve-nos de exemplo, a prática de cultivo da espécie bracatinga, árvores de
porte, muito utilizada pelas empresas de construção civil e indústrias
moveleiras. A característica da bracatinga configura na viabilização plena de
consorciações múltiplas, inclusive se processa cultivo de milho e feijão entre
fileiras.
Mazuchoswki completa que o esforço
do estado, através da EMATER-Paraná, foi fundamental nas parcerias florestais.
Destacamos alguns convênios como as empresas Klabin de papel e celulose,
Apimate-setor evateiro, cooperativas agropecuárias, e a participação de órgãos
estatais e dos municípios. Os resultados concretizam o acerto da estratégia e a
validade da integração.[1]
A região de maior desafio no Brasil
para reflorestamento é o Norte/Nordeste. Há empresas como a Cia Vale do Rio
Doce-CVRD e o Projeto Jari, e projetos de ONG’s como WWF e IMASON, que buscam a
reconstrução sócio-econômico-ambiental das regiões empobrecidas pela exploração
desordenada.
O projeto Carajás está localizado
numa região cortada pelos rios Araguaia, Tocantins e Xingu, abrangendo terras
do sul do Pará, ocupando parte significativa no Norte/Nordeste brasileiro.[2]
O engenheiro agrônomo Nogueira Dias
é Gerente Geral da CVRD há 15 anos, e explica que o projeto foi idealizado pela
Companhia e hoje é um programa do Governo Federal, que tem a meta é reflorestar
1 milhão de hectares em 10 anos. Dentro deste projeto há subprojetos como:
reflorestamento com espécies para obtenção de frutas “in natura” e processadas,
madeira para produção de celulose, chapas, mobiliário, assim como há planos
para seringueiras para produção de borracha.
Lembramos que o projeto FLORAM
recomendou para a região Carajás-São Luís, a plantação de árvores,
principalmente em áreas já desmatadas, como na borda meridional e oriental da
Amazônia.
[1] SBS, n.
61, 1995, 14
[2]
Sandroni, 1989, 256
O projeto
da CVDR-Polos Florestais na Amazônia Oriental, visa reverter o processo de
degradação em curso, o que levaria à exaustão irreversível, além de acentuar
cada vez mais o empobrecimento da região. Os aspectos regionais ( aspectos ambientais, aspectos
econômicos, aspectos sociais) são inter-relacionados na prática do
desenvolvimento sustentado.[1]
Como
nos demais projetos florestais, são
promovidas a preservação e conservação da fauna e flora, desenvolvimento do
patrimônio genético, recuperando áreas degradadas com florestas plantadas,
freando o ritmo de desmatamento a médio e longo prazo, atendendo as
siderúrgicas no fornecimento de madeira para carvão vegetal.
O componente econômico, visa à aplicação
da agrosilvicultura, criando empregos e desfrutando da vocação natural da
infra-estrutura regional em programas que incluem os pequenos e médios
proprietários rurais.
A meta da CVRD é restabelecer a
cobertura vegetal, além da criação de alternativas econômico-sociais,
melhorando as condições ambientais, com a
recuperação e proteção do solo, a
interrupção do processo de erosão e do aumento gradual no nível de retenção de
CO2, pelas florestas em
crescimento. Daí o entendimento de
que no componente econômico se observa o componente meio ambiente.[2]
Com certeza o desenvolvimento desses
planos serão oportunidades socioeconômicas para desenvolvimento social em
vários setores, fixando o homem no campo e na indústria da região,
racionalizando a exploração das florestas, criando qualidade de vida para a população
e aumentando a qualidade de vida ambiental.
Chamamos a atenção para a produção
de carvão, que surgiu na região Carajás-São Luís no Sul do Pará na década de
80, instalando-se o Polo Siderúrgico Carajás, atingindo em torno de 1 milhão de
toneladas de ferro-gusa produzido, a partir do uso de carvão vegetal de matas
nativas (Sandroni,1989:256).
“Dos aspectos econômico-sociais esclarecemos
que o setor siderúrgico a carvão vegetal apresentou em 1992,
um faturamento total de US$ 3,3 bilhões, dos quais US$ 1,1 bilhão em
divisas. Somente na fase de produção e comercialização de carvão vegetal são
movimentados por ano cerca de 600 milhões de dólares. Esse setor arrecadou US$
473 milhões em impactos e gerou cerca de 180 mil empregos diretos e indiretos, dos quais cerca de 120 mil na atividade direta de produção e transporte de carvão vegetal” (Josemar,1995:367). “No entanto, destacamos problemas regionais que merecem atenção no aspecto socioeconômico da atividade de produção de carvão vegetal. No contexto de desemprego e subemprego na região, a produção de carvão tem sido uma alternativa de renda para muitos agricultores, cuja remuneração de cerca de um a dois salários mínimos” (Kitamura, 1994:130).
[1] SBS, n. 43, 1992, 20
[2] SBS, n. 43, 1992, 21..23
Os aspectos
econômico-ecológicos tomam formas e sugerem rumos para o emprego de tecnologias
adequadas e métodos racionais de manejo e exploração florestal, que são
crescentes em países como: França, Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Iugoslávia.
Tais tecnologias já se encontram disponíveis no Brasil, quer através de
iniciativas de desenvolvimento por parte de empresas nacionais, quer pela
colocação de tecnologias adaptadas do exterior. Será uma transformação que
conduzirá necessariamente ao incremento da área reflorestada em nosso país.
Quanto aos processos de obtenção de carvão vegetal, haverá indução para o
emprego de tecnologias que contemplem formas de recuperação e aproveitamento de
outros produtos, além do carvão vegetal. Com isso, serão minimizadas as
emissões de produtos poluentes e os desperdícios de recursos naturais, além de
levarem diretamente à maior valorização da madeira como matéria-prima (Brito,
1990:227).
Outro destaque é o Projeto Jari, que
está delimitado pelos rios Jari e Cajari, afluentes do Amazonas. A empresa
instalou-se na região em meados da década de 60, foi trazida do Japão uma
fábrica fluvial; sua principal atividade é a produção de celulose, que chega a
300 mil toneladas anuais de celulose. A Jari participa ativamente do desenvolvimento
regional com progresso científico e age diretamente na saúde, saneamento, moradia
e educação de aproximadamente 60.000 habitantes do município Laranjal do Jari e
distritos de Monte Dourado, Vila Industrial Munguba e Silvivilas Planalto e São
Miguel. As técnicas de produção visam a
estabilidade econômica e conservação ambiental.[1]
Há
consciência do importante patrimônio genético da região, e promovem conhecimento
científico para minimizar a interferência das florestas no meio amazônico,
atingindo assim metas de crescimento e produtividade. Para garantir a evolução
de suas atividades, a empresa mantém programas com diversas instituições como: Empresa Brasileira de
Agropecuária-EMBRAPA, Instituto de Pesquisa e Estudos Florestais-IPEF, Universidade
Federal de Viçosa-UFV, Fundação de Pesquisa de Estudos Florestais-FUPEF,
Universidade Federal do Paraná-UFP, Universidade de Auburn (Alabama),
Universidade de Goethingen e Freiburg (Alemanha) e Sociedade de Investigações
Florestais-SIF.[2]
Com as parcerias de instituições consagradas, são realizados os melhoramentos
genéticos, inventários e proteção florestal, sistemas radiculares[3]
e manejo sustentado. Estes são alguns dos temas que fazem parte da Jari. A
Companhia busca alternativas para contribuir na manutenção da maior floresta
tropical do mundo.
[3] Radicular é uma pequena raiz do embrião das plantas
Ferreira,
Gerente do Meio Ambiente da Companhia Jari, explica que entre as diversas
tecnologias aplicadas na produção de eucalipto e pinus, há o cultivo conjugado
com espécies nativas, na qual a demarcação da área plantada respeita as
características de relevo, deixando locais acidentados protegidos, considerando
a topografia da região. A Jari desenvolve as atividades de forma que muitas
vezes transcendem os próprios parâmetros estabelecidos na legislação ambiental
brasileira.
Outro projeto de êxito no
desenvolvimento sustentável das florestas está no estado do Pará, no município
de Paragominas. As ONG’s do IMASON e
WWF, combatem o esgotamento de
recursos naturais.
Em 1991, foi lançado em Paragominas
o Projeto Madeira, trabalho elaborado para desenvolver junto aos madeireiros o
Plano de Manejo Florestal, objetivando o baixo impacto ambiental na exploração
florestal e alcançar matéria-prima para produtividade florestal em períodos
reduzidos até 1/3 da exploração tradicional, que varia de 90 anos. Em Paragominas é
faturado em torno de US$ 160 mi/ano, com a atividade madeireira que emprega
cerca de 50 mil dos 98 mil habitantes. São mais de 100
madeireiras na região e cada uma
explora em torno de 300 hectares, ou seja, 500.000 árvores derrubadas ao ano.
Segundo
engenheiro agrônomo do IMASON, Paulo Barreto, os problemas detectados
iniciam-se na derrubada, porque não são cortados os cipós, o corte é realizado
em qualquer sentido, o que causa danos as outras árvores na queda. No arraste
da tora caída, o operador pratica o manuseio incorreto causando impactos
maiores. Outra imperícia é na identificação da madeira o que é, um fator de
desperdício. Os motosserristas não distinguem
as madeiras ocas das madeiras comerciáveis, sendo avaliado
o estado do tronco quando está no chão. Uma pesquisa elaborada pelo IMASON
constatou, através de inventário florestal, que para cada árvore aproveitada,
outras 27 árvores são destruídas. Atualmente devido a todos esses desperdícios
e danos causados pela exploração inadequada, madeireiros buscam toras a 80
quilômetros do município de Paragominas.
O plano de
manejo sustentável, que apresenta o Projeto Madeira, é a alternativa para
exploração econômica e ecologicamente adequado. O manejo consiste em desenvolver:
inventário florestal da região, planejamento de estradas para arraste, corte de
cipós que ligam as árvores, direcionamento da queda, verificação de espécies
que serão cortadas para não cortarem toras ocas e emprego da tecnologia
adequada,[1]
que cause o menor impacto ambiental possível.
Na área manejada, desenvolvida pelo
IMASON, constatou-se a redução em 50% do impacto sobre a floresta, permitindo a
exploração por tempo maior que a praticada.[2].
Segundo o engenheiro florestal do
IMASON, Paulo Amaral, o retorno financeiro passa a ser de médio e longo prazos
maiores, quando se pratica o manejo florestal. O lucro, a princípio, diminui
por causa da aquisição de tecnologia adequada e treinamento; todavia faz-se
necessário uma reeducação completa, tanto do aspecto financeiro como do aspecto
ambiental. Quanto ao aspecto financeiro, no princípio há um custo adicional de
R$45,00 por hectare diminuindo o lucro em 7% o que os madeireiros não veem com
bons olhos. O manejo possibilita a exploração por mais tempo, o que traz a
recuperação do investimento. Quanto ao aspecto ambiental o Projeto Madeira
melhora sensivelmente a preservação, conservação e qualidade de vida humana e
ambiental e vem confirmar a viabilidade econômica ecológica da Amazônia, assim
como em todas as florestas em suas nuanças.[3]
Adalberto
Veríssimo, participante do Projeto Madeira do IMASON, esclarece sobre o manejo
florestal. “Sabendo-se a área de floresta
intacta, em Paragominas, é possível estimar o tempo que ainda resta para que
todas as florestas da região sejam exploradas. Para esse exercício, vamos
considerar que a floresta disponível para a indústria madeireira abrange um
comprimento de 300 km da Rodovia Belém-Brasília, entre Santa Maria e Itinga,
por uma largura de 200 km, dando uma área total de 60.000 km2. Aproximadamente 65% dessa
área, 39.000 km2 ainda são de floresta não-mexida. Atualmente, as 238
indústrias madeireiras que operam na região exploram cerca de 678 km2 de
floresta por ano. Portanto, essa região pode abastecer a indústria madeireira
no atual nível de consumo por mais 58 anos, seja 39.000 km2/ano, dados
de 1992” (Adalberto et. al.,1996:33).
[1] SBS, n. 61, 1995, 17
[2] SBS, n. 61, 1995, 17
[3] SBS, n. 61, 1995:18
Embora
essas projeções e estimativas denotem os benefícios do manejo da floresta,
criando economicidade regional em longo prazo, os pesquisadores/autores
esclarecem sobre os três impedimentos atuais para a técnica de manejo: 1) pouco
conhecimento ou experiência em manejo e, sem assistência técnica; 2) os
retornos financeiros do investimento em manejo não são atraentes por serem de longo
prazo e na maioria das vezes são comparados com outras opções de investimentos
de curto prazo; 3) a área de floresta virgem na região de estudo é barata
demais, estavam sendo vendidas por US$ 100 a US$ 150/ha, dado de 1991, sendo
que o investimento de US$ 180/ha em manejo seria restituído em média de 30
anos, o madeireiro, no entanto, compra áreas de floresta virgem, extraindo a
madeira imediatamente e abandonando a área.[1]
Para Veríssimo, “Paragominas é ainda o principal centro
madeireiro do Brasil. Os madeireiros mais capitalizados têm adquirido extensas
áreas florestais e mudando as operações para a floresta, como forma de redução
de custos, do contrário precisariam percorrer mais de 150 km (1996) do
município para a extração de madeira. Infelizmente a extração da madeira
continua sendo de forma não manejada, o que aumenta sensivelmente o
empobrecimento da floresta e da população”.[2]
Os madeireiros, assim como outros
exploradores das florestas, deverão adequar-se aos novos sistemas ecológicos,
se desejarem subsistir, pois já há mecanismos legais que estão sendo
requisitados como os ecorótulos (que certificam qualidade e origem), por países
da Europa e Estados Unidos que não aceitam produtos de origem duvidosa.
Em
nosso país há uma indústria pioneira, que se destaca com princípios e critérios
adequados de manejo sustentável de floresta nativa no setor madeireiro . A Precious Wood, de origem suíça, com
auto-financiamento de US$20 milhões, se instalou no município de Itacoatiara há
três anos, a 284km de Manaus. A
madeireira iniciou em 1994 a exploração de madeira numa área de 80,5 mil
hectares, sendo que pratica manejo florestal
sustentável em 76,6% da área, mantendo preservação em 16,14% de área da
floresta para banco genético (Precious Wood, 1997:1-2).
[1]
Veríssimo et.al., 1996:71
[2] Ibid.,
72
Os
princípios e critérios da Precious Wood se devem ao Sistema Celos Manejo-SCM,
adotado pela empresa no manejo sustentável com florestas nativas. Tal sistema foi desenvolvido na Holanda em 1994 e
aplicado no Suriname. O Sistema Celos de Manejo-SCM, consiste em trabalhar com
florestas Mesofíticas,[1]
similares às localizadas nas Guianas, na América do Sul.
O
SCM preenche muitos dos requisitos estabelecidos pela Organização Internacional
de Madeiras Tropicais-OIMT e o Conselho de Manejo Floresta-FSC (vinculado ao
Fundo Mundial para Natureza-WWF). “O SCM
é um sistema policiclíco[2],
um sistema moderno de manejo florestal, já que inclui a parte econômica da
exploração de madeiras comerciais e o tratamento silvicultural dentro dos
limites impostos pela manutenção da estabilidade ecológica da floresta”
(Manual SCM,1994:2)
O
Sistema Celos de Manejo-SCM é composto pelo Sistema Celos de Silvicultura-SCS e
Sistema Celos de Exploração-SCE.
“O SCS tem o objetivo de aumentar o crescimento
de espécies florestais
comercialmente interessantes e segurar a regeneração das espécies
desejadas, como também, objetiva intervenções na floresta que não destruam ou
removam uma parte grande demais da biomassa. O SCE tem o objetivo de explorar a
floresta de maneira eficiente causando um mínimo de danos ao povoamento
remanescente e ao solo, desta forma o SCM apresenta em seu contexto os
componentes viáveis nos aspectos econômico, social e ecológico específicos”.(Manual
SCM,1994:3..7)
Dentre
os estudos de viabilidade econômica ecológica apresentadas, o megareflorestamento
FLORAM (várias vezes citado) traz o desenvolvimento sustentável como
alternativa única, de rumo imediato para reverter os processos de uma sociedade
de economia degradada a uma sociedade de
economia ecológica. O Projeto FLORAM enfoca a situação brasileira, sugere
desenvolvimentos florestais regionais, visando atenuar e bloquear a devastação
da herança biológica remanescente. Os planos verdes são
realizados para a recuperação vegetal e, diretamente, a recuperação
socioeconômica a médios e longos prazos.
[1]
Florestas mesofífitas- é a que vive em lugares de luz difusa e umidade média.
[2]
Policíclico - são vários ciclos de 2 mil hectares, a cada ano é explorado um
ciclo e que recebe tratamento silvicultural adequado durante 3 a 5 anos, sendo
preparado para futuro manejo.
Neste
contexto de dificuldades a região nordestina é caso que o Projeto FLORAM
acredita ser mais desafiante do
território nacional. Para Ab’Saber, um dos realizadores do megaprojeto, mais do
que qualquer outra área do país, um plano de reflorestamento com objetivos de
múltiplo uso, necessitando de conhecimento regional e das dificuldades
econômico-socio-ambientais. “Tal ousadia
do plano é entendida como processo de implantações progressivas e diferenciais,
sem retorno econômico imediato, porém, com muitas oportunidades de retorno
social a médio e longo prazos”(Ab’Saber,1990:150), criando desenvolvimento
para o homem nordestino viver no sertão.
O Nordeste é certamente o mais
complexo ambiente para discussão de planos, projetos ou programas de
reflorestamento. A discussão sobre introdução de espécies arbóreas, em
diferentes setores do sertão, implica análise minuciosa da grande diversidade
regional. Faz-se necessária uma política diferencial para o domínio das caatingas,
que possibilite um revolvimento da maior parte dos problemas agrários dos
sertões secos. “Trata-se de outro domínio
climático, hidrológico e ecológico do Brasil, que exige conhecimentos
aprofundados sobre a estrutura, o comportamento e a funcionalidade de seus
ecossistemas”.[1]
Na
elaboração das diretrizes do Projeto FLORAM Nordeste/Seco houve três preocupações
centrais: 1) promover um reflorestamento de interesse ambiental e social, no
período de 30 a 50 anos; 2) garantir, através de um conhecimento aprofundado da
realidade física e ecológica regional; 3) proteger as sub-áreas em que existem
combinações de fatos fisiográficos e ecológicos. Ab’Saber alerta: “somos sabedores que o Nordeste/Seco possuí
biodiversidades a serem preservadas, como qualquer outra região do país, todos
dignos de consideração em termos de patrimônio genético”,[2]
citamos alguns:
1) estreitas florestas beiradeiras, ao longo de
rios e riachões; 2) os diferentes sistemas ecológicos das caatingas, que formam
o pano de fundo mais amplo e abrangente dos espaços sertanejos, ao longo das
vertentes e interflúvios de intermináveis colinas, serras e padrões escarpados
não servidos por umidade; 3) as matas tropicais das serras úmidas e diferentes
“ilhas”, designadas genericamente por brejos; 4) faixas ou zonas da mata de
babaçus, envolvendo um certo número de espécies arbóreas entremeadas por
palmeiras;[3]
[1] Ibid.,149/150
[2] Ibid., 160
[3] Ibid., 158/159
Para
implantar a cadeia de difusão do Projeto FLORAM Nordeste/Seco é imprescindível,
afirma Ab’Saber, “a conjunção de esforços
de todas as comunidades técnicas e científicas da região, sensíveis à
problemática do reflorestamento de funções múltiplas. Estão unidas pelo firme
propósito de criar um Nordeste Verde:
as Universidades de Pernambuco,
Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba,
Alagoas, Sergipe, Piauí e Bahia, como também instituições com ênfase especial a DNOCS, CHESF, SUDENE, EMBRAPA,
CPRN e todos os centros de gerenciamento existentes nos grandes açudes públicos
dos sertões “(Ab’Saber,1990:162) para o gerenciamento à favor de toda região.
As conjugações de esforços de todas
as instituições privadas ou públicas tornarão o Nordeste Verde, gerando
economicidade no sertão e qualidade de vida. Para Ab’Saber e sua equipe,
nenhuma área do país requer uma política ambiental tão imediata e diversificada
de florestas de interesse social quanto o Nordeste. “Fato que necessariamente, implicará melhorias de ordem
econômico-socio-ambiental em médio prazo, sê corretamente conduzidas”
(Ab’Saber,1990:150).
É
importante ressaltar que o megaprojeto FLORAM promove reflorestamento para
empresas públicas e privadas na contribuição de reconstrução ambiental.
Destacamos que as empresas de papel
e celulose, além de desenvolver as florestas para os interesses produtivos,
fazem do setor florestal uma contribuição ao desenvolvimento social
engajando-se na melhoria das comunidades onde estão sediadas, ressaltamos
algumas delas:
“Votorantim
Celulose e Papel - Atua na região do Vale do Paraíba, a FLORIN-Floresta
Integrada S/A (empresa do grupo), mantém protegida por lei desde 1991 a Reserva
São Sebastião do Ribeirão Grande, no local é desenvolvida pesquisas da fauna e
da flora, a preservação proporciona a propagação da educação ambiental. A
FLORIN está associada a Centro de Monitoramento Ambiental da Serra de
Itapety-CEMASI, entidade vinculada as Universidades Brás Cubas e Mogi das
Cruzes.
Bahia Sul Celulose - Localizada no extremo sul
da Bahia a empresa já beneficiou os municípios de Alcobaça, Mucuri e Itabatan,
os alunos destas regiões continuam estudando graças a ajuda da empresa. A Bahia
Sul participa também de programas de proteção ambiental e educação ambiental
como do Parque Nacional Marinho de Abrolhos;
Klabin
Papel e Celulose - Localizada na cidade de Telêmaco Borba, cidadezinha que
tem construção de corpo de bombeiros, de polícia florestal e militar e ainda
quatro unidades de saúde feitas pela empresa.
Cenibra
- Celulose Nipo-Brasileira - Atua no estado de Minas Gerais, lá promove
parceria com os produtores locais no programa de fomento florestal. A empresa
oferece condução direta à fábrica e desenvolve projeto educacional de livros
didáticos e agasalhos.
Aracruz
Celulose S/A - Localizada no município de Aracruz, promoveu desenvolvimento
nos municípios de Caravelas, Nova Viçosa, João Pedro Canário, construindo estradas,
escolas, clínicas e ginásios desportivos. A companhia chegou em meados dos anos
60, e na época só existia estagnação social e econômica, devido a exaustão dos
ciclos de carvão vegetal. A empresa também usou dos programas do governo
federal para realizar investimentos na região.
Champion
Papel e Celulose Ltda - A empresa possui unidades de produção florestal em
São Paulo, Mato Grosso e Amapá, instalou-se em locais com estrutura básica e
optou por reforçar a relação com produtores rurais e promover o investimento em
parcerias com programa de fomento junto aos agricultores e produtores rurais.
A terceirização de empresas como Plantar S/A Reflorestamento e Agrominas Empreendimentos
Rurais Ltda, ambas relacionadas a atividades agroflorestais, pecuárias e
siderúrgicas, são também fortes contribuintes para o desenvolvimento social das
regiões, não necessitando empregar mão-deobras distantes, pois a população é
ativa e treinada para os trabalhos solicitados por empresas como Celmar,
Cenibra, Bahia Sul, Aracruz entre outras. Essas “empresas têm investido em
projetos educacionais, assistência médica e odontológica”.[1]
[1] SBS, n.71, 1997 8...13
O BNDES,
desde 1995, contempla os projetos das empresas do setor florestal. O BNDES cria
estímulo e todos saem ganhando: os trabalhadores que são mais assistidos e,
como consequência as empresas alcançam maior produtividade. O incentivo
encontrou enorme eco nas empresas do ramo de base florestal.
Sem dúvida
alguma, as atividades bem conduzidas em qualquer setor da atividade econômica,
com respeito aos ecossistemas ecológico e humano criam progresso, desenvolvimento
e crescimento sustentáveis.
3.4 O SETOR FLORESTAL: PRODUTIVIDADE x CONDIÇÕES AMBIENTAIS
No setor florestal o conceito de
valoração ambiental tem sido cada vez mais refletido, já que as florestas
tornam-se matéria-prima em escassez.
Para Rodés, participante do Projeto
FLORAM, “o setor florestal pode ser
visualizado como um sistema formado por um conjunto de processos que
transformam as matérias-primas florestais em produtos artesanais ou
industrializados, cujo desempenho funcional satisfatório induz o consumidor a
sua aquisição por um valor superior ao
custo de transformação correspondente. Se o reinvestimento da diferença, ou
seja, o lucro apresentar um retorno suficientemente atrativo, o crescimento e
desenvolvimento do setor florestal e dos seus produtos industrializados focarão
assegurados” (Rodés, 1990:178).
A valoração das florestas não tem
mensuração racional como nas convenções financeiras e contábeis, no entanto,
oferecem “o deslumbre paisagístico, como
também uma variedade interminável de biodiversidade na fauna e na flora,
sombras protetoras aos gados, bosques
que quebram os ventos protegendo as plantações e as casas, como também protegem
as margens dos rios e lagos. E que as florestas oferecem ao mesmo tempo valores
estéticos e utilitários de difícil tradução para os valores essencialmente
econômicos, afirma Rodés ”.[1]
“A visão do setor florestal focaliza a parte
biológica do sistema (plantio, crescimento, inventário, manejo florestal, corte
e retirada adequados da madeira, etc.). A visão tecnológica concentra-se sobre
os diversos processos industriais que transformam a fitomassa retirada em
produtos ou insumos cuja distribuição e
comercialização compõem áreas de preocupação econômica que também formam parte
importante do setor florestal”.[2]
[1] Ibid.,178
[2] Ibid., 179
A economia
ecológica está modelando a valoração de custos ambientais que têm sido “frequentemente citados e quantificados fisicamente,
através de trabalhos técnico-científicos em distintas áreas como: silvicultura,
agronomia, economia, ecologia, hidrologia, pois estão perdendo a determinação a
denominação de bens livres, porque já sinalizam limites a três décadas”
(Medeiros,1995:371).
Exemplo
de valoração, no caso das florestas, é a alternativa para a exploração de
madeira não-planejada com o manejo florestal sustentável da floresta nativa.
Lembramos que o manejo consiste no planejamento da exploração para minimizar os
impactos na floresta e em tratamentos silviculturais, que após a exploração é
utilizada, para acelerar o crescimento das árvores de valor comercial
remanescentes na área. Na ilustração gráfica observamos as vantagens do modelo alternativo
de manejo florestal sustentável para as indústrias de empreendimentos florestais:
Fonte: May, 1995: 123
Consequentemente, teremos vantagens
quando da aplicação adequada do modelo alternativo de manejo florestal
sustentável, já que traz baixo impacto ambiental, criação de empregos diretos e
indiretos, desenvolvimento social, preservação da fauna e da flora nas regiões
onde for praticado.
“Em
relação à geração de empregos, com exceção da pecuária, as atividades intensivas
geram mais empregos que as atividades praticadas de forma extensiva. A exploração
de madeira intensiva com manejo gera três vezes mais empregos que a exploração
sem manejo florestal e a atividade agrícola intensiva gera onze vezes mais
empregos que a forma extensiva de corte e combustão” (MAY,1995:125).
“A súbita valorização da madeira da floresta
Amazônica, está aumentando o período de vida da pecuária na Amazônia, tanto que
em relação a renda, a valoração das
florestas tornou-se interesse cada vez maior pelos pecuaristas. Quando
os pecuaristas vendem o direito de
exploração para os madeireiros, eles recebem, em média US$ 70/ha.
Portanto, quase quatro hectares são explorados para pagar a reforma de um
hectare de pasto degradado. Quando os pecuaristas conduzem a exploração madeireira, o lucro obtido é estimado em US$ 200/ha e
nesse caso, é possível reformar quase um hectare de pastagem degradada para
cada hectare de floresta explorada” (Veríssimo et.al., 1996:24).
Entre
outras vantagens sócio-econômicos, a contribuição do setor florestal tem significativa
importância nos programas de empreendimentos industriais, incluídos no projeto
FLORAM, que estão comprometidos com a preservação e conservação da área nativa.
“Cabe ressaltar que os programas de
empreendimentos industriais, com base florestal estarão, dentro do projeto
FLORAM, condicionados por comprometimentos na preservação de área da floresta
nativa e/ou no reafeiçoamento de áreas depauperadas do ponto de vista ecológico”(Rodes,1990:181).
O setor de produtos florestais
industrializados e artesanais é composto dos seguintes subsetores:1) pastas celulósicas; 2) painéis de madeira; 3)
madeira serrada; 4) madeira laminada; 5) extratos vegetais; 6) extratos medicinais; 7) celulose solúvel; 8) polímeros para fibras sintéticas; 9) explosivos; 10) hidrocolóides; 11) óleos
essenciais; 12) frutas e sementes; 13) carvão vegetal, e 14) lenha (fonte de
energia)[1].
Rodés
citou um pouco do amplo leque de escalas econômicas dos empreendimentos do
setor florestal, e expõe duas posições extremas: 1) situação de
industrialização intensiva, demandando conhecimento e capacitação altamente
especializada em áreas de tecnologia industrial e de biotecnologia
silvicultural, 2) situação de empreendimentos de pequenos e médios portes,
ambos desenvolvem atividades artesanais ao alcance das poupanças domésticas.[2]
[1] Ibid.,181
[2] Ibid.,182
“A
utilização desses empreendimentos do setor florestal são elementos vitais para os programas de
reflorestamentos e florestamento, de instituições como a FAO-Organizações das
Nações Unidas para alimentação e Agricultura, que conta com outras organizações como: PNUMA-Programa das
Nações Unidas para o Meio Ambiente, IUCN-União Internacional para Conservação
da Natureza, UNESCO-Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e
Cultura”.[1]
Em ação conjunta implementam o desenvolvimento sustentável, o ecodesenvolvimento,
a silvicultura, o manejo florestal, criando progresso e economicidade.
No setor florestal os custos de
implantação silvicultural são formados por muitos fatores. Cada um dos fatores listados
apresentam índices de variância elevados, o que explica a grande amplitude da
variação observada no custo total dos reflorestamentos. Pesam nas variações a
tecnologia e biotecnologia aplicadas. Citamos alguns: 1) pesquisa e levantamentos; 2) custo da terra; 3) preparação
do solo; 4) abertura de estradas; 5) mudas e sementes; 6) cultivo e plantio; 7)
fertilização; 8) combate à formiga cortadeira; 9) tratamentos culturais; 10)
prevenção de incêndios e seu combate; 11) educação ambiental e treinamento; 12)
transporte e 13) rendimento do capital.[2]
Alguns outros fatores são muito
significativos para a produtividade
florestal, são as chamadas condicionantes ambientais, que diferenciam de região
para região, influenciando sobre os
índices de produtividade: 1) intensidade de insolação; 2) concentração de CO2;
3) disponibilidade de água; 4) composição do solo; 5) temperatura ambiente; 6)
genótipo de vegetal; 7) intervenção humana no processo produtivo silvicultural.[3]
Afirma
Rodés, sobre as condicionantes ambientais “a
energia irradiada pelo sol, atingindo a superfície verde da folha de um
vegetal, propicia a formação fotossintética de carboidratos. Estas estruturas
moleculares não demoram em sofrer transformações enzimáticas (oriundas do solo
que sustentam o organismo vegetal) contidas no código genético, para orientar a
multiplicação celular nos seus desdobramentos em órgãos diferenciados, em sequências
e proporções características para cada espécie. Toda a sequência de reações
bioquímicas sofre a influência da temperatura ambiental, fator importantíssimo
para conseguir uma produtividade florestal elevada”.[4]
[1] Ibid.,187
[2] Rodés,
loc.cit.,189
[3] Ibid.,191
[4]
Ibid.,192
Constatamos
como o meio ambiente é complexo, interligado e interdependente ao ecossistema
humano, uma vez que as alterações provocadas pelo homem causam desequilíbrios
de ordem desconhecida e incontrolável. Por isso, se faz fundamental a implantação
da educação ambiental e do treinamento para atividades com recursos naturais.
Tais atitudes favorecem sensivelmente ao paradigma do desenvolvimento
sustentável, que forma cadeia construtivista, estimulando os princípios do
ecodesenvolvimento, que favorece a economia ecológica para administrar os ECO’s
do Planeta Terra para o século XXI (mesmo porque não temos outro planeta para
ir morar).
4 O MEIO AMBIENTE E O GERENCIAMENTO ECOLÓGICO
“Ao
término de um período de decadência sobrevém o ponto de mutação. A luz poderosa
que fora banida ressurge. Há movimento, mas este não é gerado pela força ... O
movimento é natural, surge espontaneamente. Por essa razão, a transformação do
antigo torna-se fácil, o velho é descartado, e o novo é introduzido. Ambas as
medidas se harmonizam com o tempo, não
resultando daí, portanto, nenhum dano.”
I CHING[1]
Em muitos
países subdesenvolvidos, as relações econômicas internacionais constituem um
problema a mais para a administração do meio ambiente. “A agricultura, a silvicultura, a produção energética (lenha e carvão
vegetal) e a mineração geram pelo menos a metade do produto nacional bruto,
proporcionando empregos e meios de subsistência em escala ainda maior. A
exportação de recursos naturais continua sendo um fator importante em suas
economias, sobretudo no caso dos menos desenvolvidos. Devido a enormes pressões
econômicas, tanto externas como internas, a maioria desses países exploram
excessivamente -sem princípios nem critérios- as suas bases de recursos naturais”(Brundtland,
1991:6).
Só após anos de desflorestamentos
intensivos, elevados níveis de poluição, sensível redução da biodiversidade (da
fauna e da flora, hidrologia, biosfera) concentração de gás carbônico que
resultou no efeito estufa, entre outros males para o planeta.
Estão
unindo esforços as instituições como: Fundação para Organização de Alimentação
e da Agricultura-FAO e Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente-PNUMA.
Com relação às florestas o Fundo Mundial para Natureza-WWF e a União Internacional para Conservação da
Natureza-IUNC, que trabalham em mais de 100 países
na preservação e conservação, implantando desenvolvimento social e manejo florestal
sustentável.
Observando a interligação e interdependência no
complexo meio ambiente, afirmamos que as florestas promovem equilíbrio
ambiental e desenvolvimento econômico-social. Desta forma a atuação da economia ecológica encontra-se em todas áreas
de estudo para efetivação do ecodesenvolvimento, que busca harmonizar os
interesses de uso e proteção das florestas e sua biodiversidade.
4.1 A QUARTA ONDA : ECONOMIA ECOLÓGICA
A quarta onda é considerada como
solução viável econômica e ecologicamente sustentável para o século XXI. A formação
da quarta onda deriva de ondas econômicas anteriores, que favoreceram o
desenvolvimento, o crescimento e o progresso até os limites que se apresentam
há algumas décadas. O fator predominante para o aparecimento de novo desafio de
evolução para a humanidade, se deu pelo esquecimento dos limites da natureza.
A quarta onda é a revolução
estrutural da economia, da política e ética, que denotam: 1) em mudanças de
consciência; 2) no desencanto pelo cientismo, que deixa de ser a única verdade;
3) nas fontes interiores de autoridade e de poder, que buscam outras
explicações no “conhecimento inconsciente” do ser; 4) na re-espiritualização da
sociedade, que busca o equilíbrio e o poder pessoal; 5) no declínio do
materialismo, pela reorientação de valores; 6) na democratização política e
econômica, que vemos como resposta dos povos oprimidos; 7) além da
nacionalidade, já que as questões de degradação se tornaram globais, logo a
reconstrução dos ecossistemas, também tomam formas globais (Maynard &
Mehrtens, 1994:19..22).
“A
quarta onda é a integração de todas as dimensões da vida e a responsabilidade
pelo todo, que se tornará elemento central da sociedade. O reconhecimento da
identidade de todos os sistemas vivos fará surgir novos modos de relacionamento
e de interação que servirão tantos aos seres humanos como aos não-humanos”
(Maynard & Mehrtens, 1994:23).
A quarta onda é a escolha de co-criar, o que
significa que o componente meio ambiente chegou para ficar. O dilema da empresa
moderna é o de adequar-se ou correr o risco
de perder espaços conquistados, sendo imperativo aplicar princípios de gestão
ambiental condizentes com o desenvolvimento sustentável.
Segundo Celso Sekigushi, “a principal razão para desenvolver-se uma
nova abordagem, que incorpore questões de ordens macro e micropolíticas
juntamente com as econômico-ambientais, decorre do fato de que não há como valorar economicamente os ambientes,
quando essas formas de mensuração requerem valores e racionalidades - além de
aspectos sócio-políticos, culturais e éticos - não relacionados quando
utilizam-se métodos ou técnicas de valoração econômica atuais. Os trabalhos que
objetivam estimar um valor monetário para o uso do meio ambiente, também não se
preocupam em atingir as causas mais profundas da degradação dos
sócio-ecossistemas considerados” (Celso & Elson,1995:209).
A redefinição de riqueza das
empresas teve diversas origens, como: a escassez de matéria prima, a repressão
às formas de poluição, as pressões populares, as restrições e punições cada vez
mais incisivas do poder legislativo e judiciário no primeiro mundo. Estes fatores significativos movimentaram as
estruturas tradicionais, para efetuar mudanças com rumo ao desenvolvimento
sustentável para o século XXI.
Esta quarta onda econômica veio
sinalizar o início de necessidades prementes de estratégias que conduzam a um
mercado ecologicamente e economicamente viável. Os economistas alternativos[1]
elaboraram estudos minuciosos e criteriosos sobre os meios de valoração do verde e criaram as variedades técnicas da auditoria e a
contabilidade ambiental, que estão agregadas à ecoadministração e ao ecogerenciamento, formando a interligação
e interdependência, como é o próprio meio ambiente, criando uma economia
sustentável.
As técnicas inovadoras da economia
ecológica estão sendo adotadas por empresas como: AT & T, Du Pont, Mc
Donald’s, Procter & Gamble, Dow Chemical, Banco Credit Suisse (para citar
algumas), que buscam a ecoeficiência no trato com o meio ambiente.
“O ecocontrole é utilizado como instrumento
básico de comunicação entre o departamento de compras de matéria-prima, a
produção, a logística e a controladoria financeira da empresa, fornecendo a
base de decisão para eventuais melhoras, mudanças e reduções de materiais e custos, com resultados econômicos significativos”(Jöhr, 1994:107).
[1]
Economista alternativo - é um profissional que desenvolve estudo
transdisciplinar, aplicando-os para soluções emergentes do meio ambiente.
“Jörh esclarece que “o objetivo da contabilidade ecológica
consiste na elaboração de instrumentos que avaliem e dimensionem todas as
unidades físicas, como: peso, volume, energia”. A intervenção no ecossistema equivale
ao uso de matérias-primas e energias obtidas de recursos naturais. O “input” e
“output” num processo de fabricação, por exemplo, estão medidos segundo a
agressão ao meio ambiente e corrigidos com um fator de equivalência (quanto
maior a agressão, maior o fator). Os resultados são medidos através das
unidades de cálculo “eco-valor”. O total dos “eco-valores” da empresa refletem
a agressão ao meio ambiente, que , sendo utilizado no mesmo sistema, setor ou
região, serve de base para comparações com outras empresas na obtenção das
avaliações finais”(Jöhr, 1994:109).[1]
[1] Modelo
de contabilidade ecológica é anexo deste trabalho monográfico.
Tais
avaliações sobre agressão ao meio ambiente têm sido desenvolvidas porque “os recursos abundantes e de propriedade
coletiva começaram a ter suas disponibilidades ameaçadas. Surge um sentimento,
não incorporado à análise simplista do valor tangível e de troca: a necessidade
de uma consideração especial sobre o habitat onde se desenrola o drama
civilizatório. Além de seu valor como base do processo produtivo, surge a
necessidade de incorporar um valor ao patrimônio intangível que o meio ambiente
representa para a cultura da civilização e como base do processo biológico da
vida, independentemente de repercussões produtivas na economia” (Buarque,
1993:117).
As variedades técnicas da
contabilidade e auditoria ecológicas, são desenvolvidas para os aspectos
microeconômico (empresas), como também para os aspectos macroeconômicos
(nações), podendo desta forma num futuro próximo realizar uma economia realmente
ecológica.
Para Motta, “a
proposta de um desenvolvimento econômico ecológico, não somente diz respeito a
como se deve utilizar os recursos naturais, como também, em que nível se deve
aproveitá-los. E essa é uma questão essencialmente macroeconômica. Em outras
palavras, a tentativa de estabelecer algum procedimento em nível da
contabilidade social para estimar o impacto, em termos agregados, do uso dos
recursos naturais deve, como consequência, resultar em novas
formas de cálculo da renda e seus agregados”(Motta,1995:7)
Constanza esclarece que “o Produto Nacional Bruto-PNB e outras
medidas semelhantes do desempenho econômico nacional tornaram-se extremamente
importantes como objetos de planejamento, questões políticas e marcadores do
bem-estar geral. No entanto, o PNB como é atualmente definido ignora a
contribuição da natureza para a produção”(Constanza,1994:126).
Lembramos
que “o cálculo do PIB só considera os ganhos que se obtêm na exploração desses
recursos, gerando uma falsa sinalização quanto à sua utilização. Pelas atuais
convenções, quanto mais utilizados os recursos naturais maior será o
crescimento do produto. Desta forma, não são levadas em conta as perdas de
ativos não-produtivos decorrentes do processo de exaustão. Além disso, os
custos de mitigação decorrentes de problemas ocasionados pela degradação dos
recursos naturais são vistos como acréscimos do nível de atividade, como é o
caso das despesas ocasionadas por despoluição ou descontaminação do meio
ambiente” (Motta, R.S & Young, C.E.F.,1995:15)[1].
A
preocupação da contabilidade ambiental
está voltada para as externalidades (custos ambientais), gerados pelas
atividades desenvolvidas com os recursos exauríveis da exploração predatória,
levando necessariamente a redução da sua disponibilidade futura, como é o caso
da escassez em muitas partes do mundo dos recursos minerais e florestais.
O
paradigma do “ desenvolvimento
sustentável têm como finalidade a integração de preocupações ambientais ao bojo
das políticas sócio-econômicas, fazendo estas políticas responsáveis por seus
impactos ambientais. Assim, contabilizar tanto a degradação e a exaustão
ambientais como o desempenho econômico é um primeiro passo no sentido dessa
integração”(Bartelmus, 1994:157).
A
criação das variedades técnicas de auditoria e contabilidade ambiental, foram
concebidas para garantir proteção e a conservação das bases dos recursos
naturais, a depreciação dos ativos naturais e manufaturados com certificação, o
uso de recursos humanos na conservação ou deterioração da saúde humana, assim
como perder ou ganhar
com as externalidades (custos ecológicos).[2]
“Além
disso, analistas de negócios progressistas
estão identificando novas formas de riquezas, como o capital intelectual, a
criatividade e a capacidade de empreender no interior da empresa” (Maynard
& Mehrtens, 1993: 26) [3].
A corporação (micro ou macro) da
quarta onda econômica vai reconhecer como
seu o papel de administradora do
todo, além de fornecer bens e serviços ecoeficientes. Ela não mais verá a si
mesma como uma organização primordialmente manufatureira, mais como uma
organização voltada para o ecoserviço, atuando na busca de soluções dos
problemas globais e concentrando-se naquilo que é melhor para todos. [4]
[1] Estrutura básica do sistema de contas nacionais ecológicas é anexo deste trabalho monográfico.
[2] Ver
Jöhr, 1994, Maynard & Mehrtens,
1993, Capra, 1993
[3] Está
previsto para o futuro próximo a criação da ISO18000, que prevê unir conceitos
normatizados da ISO9000 e da ISO14000, que traduzem algumas das premissas que
os economistas alternativos apontam no primeiro mundo.
[4] Maynard
& Mehrtens, loc. cit., 25
4.2 O FUTURO DAS FLORESTAS TROPICAIS
O futuro das florestas ainda parece
incerto, apesar dos indicadores estarrecedores, como o caso de Paragominas, que
segundo Veríssimo “as perspectivas de
utilização racional dos recursos madeireiros em Paragominas existem, mas as
práticas atuais de caráter predatório indicam que se o manejo florestal não for
efetivado, as florestas da região serão liquidadas nas próximas décadas. A
sobrevivência do setor madeireiro e das florestas depende da adoção do manejo
florestal sustentável. As exigências de mercado e a ação disciplinadora e
promotora do governo podem acelerar esse processo. Se isso ocorrer, a atividade
madeireira poderá ser mantida a longo prazo na região de Paragominas”(Veríssimo
et. al.,1996:73).
Um exemplo recente no setor
madeireiro em nosso país, muito contrastante aos procedimentos das demais
empresas do mesmo seguimento é a empresa Precious Wood. Instalada em
Itacoatiara, a 284 km de Manaus, é pioneira no manejo sustentável de floresta
nativa que engaja, nos princípios e critérios, o desenvolvimento social da
região.
Segundo
Carlos Alberto Guerreiro, Engenheiro florestal, até o final de 1997 a produção
será basicamente de madeira serrada, para 1998 há planejamento de utilização de
20 a 25 m3/ano de madeira tropical para produtos industrializados. A empresa
recebeu em julho de 1997, o certificado de manejo florestal sustentável do
Conselho de Manejo
Florestal-FSC, proporcionando garantia de mercado internacional para países da
Europa, Ásia e Estados Unidos. [1]
As
perspectivas das florestas tropicais do terceiro mundo podem deixar de ser estarrecedoras
como o caso Paragominas para imitar o da empresa Precious Wood em atitudes
pró-ambientais e correspondentes ao desenvolvimento sustentável. Para tanto,
foram criados nos últimos cinco anos alguns instrumentos legais para regulação
de uso dos recursos do meio ambiente. Os mercados internacionais da Europa e
Estados Unidos praticam os econegócios certificados, e a tendência se torna
crescente. Citamos alguns destes mecanismos direcionados a florestas que
promovem o crescente mercado
ecológico e economicamente viáveis: 1) Conselho de Manejo florestal-FSC; 2) Organização Internacional de Madeiras
Tropicias-OIMT; 3) Agenda 21- planos,
estratégias e políticas; 4) ABNT, na
série ISO 14000; 5) Imaflora e
SGS-certificadoras; 6) Legiflor; e 7) Cerflor
1) O Conselho de Manejo Florestal-FSC teve
aprovados os princípios e critérios(P&C) em 1994, e tem a finalidade de
orientar o manejo adequado das florestas. A finalidade do FSC é complementar
sempre e nunca suplantar iniciativas do gênero em nível mundial. O FSC conduz
atividades educacionais, para ampliar o conhecimento do público sobre a
importância do manejo e benefícios, dá assistência às pessoas e às instituições
que elaboram políticas florestais, incluindo aperfeiçoamento da legislação. A
meta do FSC é promover um manejo florestal responsável, socialmente benéfico e
economicamente viável nas florestas do mundo. Não emite certificado, pois é uma
entidade que credencia certificadoras no mundo inteiro, estas sim são então
autorizadas a emitir certificado com o aval e a marca do FSC. Para que sejam
credenciadas, as certificadoras têm de desenvolver padrões e guias de campo
para certificação baseados nos princípios e critérios do FSC adaptando-os à
realidade de cada região ou sistema de produção.[2]
2) A
Organização Internacional de Madeiras Tropicais-OIMT é dedicada à conservação e
ao uso adequado dos recursos oriundos das florestas tropicais pelo manejo sustentado.
Os critérios foram elaborados de forma simples por consultores especializados
em florestas tropicais e estão voltados às atividades de campo, deverão evidentemente, sofrer eventuais atualizações em virtude de novas experiências adquiridas (OIMT,1994:1).
[2] P&C
do FSC é anexo deste trabalho monográfico.
3) Agenda 21[1]
foi formalizada na ECO92 como documento de muita importância para esta
transição ao desenvolvimento sustentável. Tal documento está destinado a integrar
as atuações globais para o bem-estar do homem, consequentemente o bem-estar do
Planeta Terra. Seu principal objetivo é preparar o mundo através das
estratégias, planos e políticas ambientais. O documento promove esforços para
mudanças de padrões e consumo sustentáveis. É reconhecido como o melhor e mais
completo roteiro para o desenvolvimento sustentável do século XXI. A Agenda 21
guarda dois capítulos específicos na abordagem das florestas.
4) A implementação de Sistemas de Gestão
Ambiental é um grande passo na melhoria das relações entre as atividades
econômicas e o meio ambiente. Otimistas com a utilização dos recursos naturais
e com a redução de eventuais efeitos provocados pela atividade industrial no
meio ambiente, as empresas estão procurando adequar-se ao sistema produtivo
nacional ao processo de globalização da atividade econômica, estimulando à
busca da certificação pelas normas da série ISO 14000·, indispensáveis as
empresas, por sua repercussão na área de produção como na de consumo, uma vez
que regulamentam também o destino do produto depois da venda ao consumidor
final.
A normatização específica para produtos
florestais a ISO 14000 - Sistema de Gestão Ambiental, foi aprovada em 1996. Foi
mais um grande passo em busca da melhoria das relações entre as atividades
econômicas e o meio ambiente. Todas essas normas são indispensáveis, por sua
repercussão, tanto na área de produção como na de consumo, uma vez que
regulamentam, também, o destino do produto depois da venda ao consumidor final.
É um instrumento que vem colaborar com a redução dos efeitos provocados pela
atividade industrial no meio ambiente.
5) Contamos também com duas certificadoras:
IMAFLORA e SGS Forestry autorizadas pela ISO - International Organization for
Standardization, acompanhados da marca FSC, que oferece garantia de qualidade e
procedência para produtores e consumidores. Seguiremos com informações a
respeito das certificadoras:
Instituto de Manejo e Certificação Florestal e
Agrícola-IMAFLORA. Informamos que a certificação é a ferramenta pela qual se
garante/atesta determinadas características de
um produto e/ou processo produtivo. A certificação para produtos florestais
visa atestar que determinada empresa/comunidade obtenha seus produtos
florestais manejando sua área florestal seguindo determinados princípios e
critérios. O certificado servirá de garantia de que determinado produto
consumido vem de uma área manejada de forma ambientalmente adequada,
socialmente justa e economicamente viável.
[1] Agenda
21(breve histórico e introdução dos capítulos 10 e 11), é anexo deste trabalho
monográfico.
A
certificação é importante para diferenciar os produtos, identificando aqueles
que vêm de áreas florestais bem manejadas. A certificação incentiva o bom
manejo florestal - aquele que se refere à aplicação, dentre as práticas
conhecidas, das mais adequadas do ponto de vista ambiental, social e econômico,
o que proporciona também aumento de fatia de mercado - resultado do marketing
dos produtos certificados (IMAFLORA, 1996:1).
SGS
Forestry - O programa Qualifor foi organizado em três anos pela instituição
britânica SGS Forestry, que certifica ISO 9000, QS 9000, e ISO 14000. O
Qualifor têm reconhecimento do FSC. A validade do credenciamento da
certificadora teve início em 1/1/1996 e atenderá aos mercados consumidores de
madeira e demais produtos oriundos das florestas.
As
vantagens de participar do programa de certificação indicam condições na competitividade
nos mercados internacionais, cujas normas de qualidade são condições básicas
para comercialização dos produtos[1].
6) LEGIFLOR - É um sistema que apresenta a Legislação Florestal
Brasileira, lançada pela Sociedade
Brasileira de Silvicultura-SBS, para os
temas ambientais da atualidade- é mais que uma lei, é uma necessidade ética e
econômica.
Segundo
Nelson Barboza Leite, Engenheiro Agrônomo e Presidente da SBS, “não é mais
preciso ser especialista em Direito para entender de legislação florestal,
principalmente quando se tratam dos setores de silvicultura e de florestas.”
Legiflor apresenta leis, decretos, portarias.
São mais de 500 emendas e 180 textos de legislação florestal brasileira,
classificado em 53 temas. O Legiflor traz a Constituição Federal do Brasil, o
Código Florestal Brasileiro, a Legislação Florestal, Leis Estaduais e Federais,
Portarias do IBAMA, Resoluções do CONAMA, Estatuto da Terra e Imposto
Territorial Rural, Medidas Provisórias e Decretos Federais. Traz também os principais
acordos internacionais relacionados às florestas como: a proposta de Taraporto,
o acordo
internacional sobre florestas, convenção da biodiversidade e capítulos da
Agenda 21.
[1] SBS,
n.66, 26
O
Legiflor vem ao encontro das prementes necessidades de promover os empreendimentos
florestais vinculados ao desenvolvimento sustentável. A disseminação de dispositivos
legais relativos a tal universo e suas implicações na economia brasileira estão
entre as principais prerrogativas da SBS. O objetivo é, sem dúvida, o
desenvolvimento de uma política florestal adequada às realidades regionais de
nosso país.[1]
7) CERFLOR
- A SBS-Sociedade Brasileira de Silvicultura, desde 1991 tem trabalhado na
divulgação da proposta do CERFLOR - Certificado de Origem de Matéria-Prima
Florestal. O CERFLOR é composto de dois conselhos: administrativo e técnico,
por organizações de renome governamentais e não-governamentais, nacionais e
internacionais, associações e sindicatos afins do segmento de mercado.
A estrutura do CERFLOR será
concedida a empresas que optem por
práticas silviculturais que contemplem a proteção ao meio ambiente na
obtenção de sua matéria-prima. A certificação é voluntária e obedecerá aos
seguintes critérios: 1) ter aplicabilidade em todo território nacional; 2)
considerar as especificidades e realidades regionais dos diversos segmentos
produtivos nacionais; 3) ser transparente em toda sua operacionalidade e
auditável a qualquer momento; 4) ser implantada de forma gradativa de modo a
garantir sua perfeita adequação aos diversos segmentos produtivos nacionais
envolvidos.
A existência de mecanismos próprios para o meio
ambiente não garante a adesão instantânea; porém, é a conscientização de uso
adequado de recursos naturais e renováveis o primeiro passo, já que todas as
normas, certificados e acordos são medidas políticas importantíssima uma vez que, o processo de educação ambiental
é longo, e precisa ser de âmbito global. Podemos constatar como se faz
necessária a adesão, pela pesquisa desenvolvida pelos economistas ecológicos da
Universidade de Maryland. Eles estimaram que um terço de tudo o que se come vêm
de uma planta polinizada por insetos ou pássaros. Quanto vale o serviço
prestado por esses animais? E a purificação do ar feita pelas plantas? Estes
serviços fornecidos pelos ecossistemas gerariam uma despesa anual
de US$ 33 trilhões, o dobro do PIB mundial, se tivessem de ser realizados pelo
homem.
[1] SBS,
n.69, 23 e ECO-RIO, n. 30, 40
Eis
alguns dos valores do trabalho do ecossistema natural: 1) controle da concentração
de gases na atmosfera feita pelos oceanos - US$ 8,4 trilhões; 2) Equilíbrio do
clima global realizado pelas florestas tropicais - US$ 3,8 trilhões; 3) Combate
a pestes das lavouras executado por animais e insetos predadores naturais - US$
417 bilhões; 4) Proteção das áreas costeiras contra tempestades realizadas por
recifes de coral - US$ 375 bilhões; 5) Polinização de plantações de alimentos
por insetos, morcegos e pássaros - US$ 117 bilhões (Revista Exame, 1997:15).
Como
podemos observar o trabalho que a natureza presta têm valores incomensuráveis.
Hazel Henderson comenta, que existem nos Estados Unidos muitas empresas de
consultoria que estão crescendo em torno da nova consciência ambiental das
grandes multinacionais, oferecendo ideias, planos de marketing , promoções e
outros serviços verdes, inclusive, muitas agências de publicidade criaram
departamentos especiais que oferecem campanhas verdes (Hazel Henderson,
1991:201).
Em
1992, A Câmara Internacional de Comércio elaborou uma “Carta Empresarial para o
Desenvolvimento Sustentável “[1],
que é utilizado como código de ética entre os grandes grupos multinacionais.
Nesta carta está apresentado princípios de gerenciamento ambiental que buscam
estabelecer os limites para produção e operação, educação e contribuição para
um esforço comum no desenvolvimento das
políticas públicas para ampliar a consciência e proteção ambiental.
“Espera-se
que o setor privado esteja em busca de oportunidades de negócios em tecnologias
mais verdes, com projetos mais orgânicos e ecologicamente sadios. A menos que
os setores privados se envolvam, o desenvolvimento de tecnologias e empresas
ambientalmente sustentáveis será muito lento,
forçado apenas pelas regulamentações governamentais. Não teremos escolha, senão aprender a
desfazer os danos e remediar a destruição existente” (Hazel Henderson,
1991:201).
“Amo
a TERRA e o que nela vive, em especial
os SERES HUMANOS. Prometo tratá-los com dignidade, respeito e amizade. Não
somarei mais que dois filhos à TERRA. Farei tudo para saber o que resta de
nosso mundo em seu estado original e restaurar áreas viáveis. Usarei o mínimo
possível de fontes não-renováveis, de produtos tóxicos e pesticidas. Ajudarei
os menos afortunados a se torna auto-suficientes e gozar os benefícios de uma
vida decente, como ar e água puros, boa comida e boa saúde, moradia, educação e
direitos individuais. Não quero o uso da força, especialmente a militar, mas
sim a arbitragem das Nações Unidas nas disputas internacionais. Apóio a
eliminação de todas as armas nucleares, químicas e biológicas, e apóio também a ONU
por seus esforços para melhorar as condições do PLANETA TERRA.”
TED TURNER[1]
CNN-USA-1992
[1] In:Salve
a Terra, 1993:8
O trabalho
monográfico dissertou sobre a transição da economia insustentável praticada nas
florestas para uma economia ecológica. Foram apresentados reconceitos, mecanismos
e processos econômicos para um ecodesenvolvimento e ecogerenciamento das
florestas tropicais, visando um desenvolvimento sustentável com aplicação
adequada do uso múltiplo da terra e dos recursos florestais.
O
desenvolvimento econômico florestal (tradicional) elevou significativamente o
PIB em muitas partes do mundo; no
entanto, causou sérios desequilíbrios ambientais de ordem global colocando em risco a sobrevivência da
humanidade.
O
desenvolvimento econômico (como é praticado tradicionalmente) resultou em sistemas
entrópicos que degradaram o meio ambiente, causando impactos imediatos. Exemplo
disso são os bioregionais, ou os de médios e longos prazos, de ações transfronteiriças
que provocaram e ainda provocarão desordem incomensurável no meio ambiente
devido a falta de princípios e critérios ambientais adequados.
O
resultado disso são as diversas regiões do planeta afetadas pelos processos
predatórios, muitas vezes irreversíveis, impossibilitando a sobrevivência
humana.
O
Planeta Terra chegou a um patamar que o crescimento e desenvolvimento estão
decrescendo. Este fato está sendo detectado em vários países, tanto de primeiro
quanto de terceiro mundo, devido à proliferação da escassez de recursos
naturais.
Entretanto,
continua crescente a demanda por produtos e empreendimentos de origem natural;
e as externalidades (custos ambientais) não incorporadas poderão modificar o
comércio internacional a médios e longos prazos, tornando-o negativo. As nações
precisam analisar se desejam perder ou ganhar com os custos ambientais.
Fatos
como os grandes desflorestamentos seguidos de queimadas e a queima de
combustíveis fósseis, contribuem para a destruição da biodiversidade (da fauna
e flora, hidrologia e biosfera) aumentando gradativamente a concentração de gás
carbônico na baixa atmosfera (tal aumento é nocivo), resultando como uma das
consequências no aumento do efeito
estufa.
Os
desequilíbrios ambientais tem levado as comunidades mundiais (nos últimos 25
anos) à reflexão sobre os limites e valores reais da natureza, apesar de este
ser um assunto de pauta das convenções desde 1972!
Os
valores da natureza são chamados de externalidades econômicas (custos ecológicos)
e não aparecem no campo mensurável da economia desenvolvida tradicionalmente,
que com seus meios racionais não tem como valorar o meio ambiente.
Para
valorar o meio ambiente, foram criados mecanismos apropriados, como o paradigma
do desenvolvimento sustentável, que aponta novos rumos à recuperação e
reconstrução dos ecossistemas humano e natural.
Um
desses rumos é a economia ecológica, que abarca um conglomerado de alternativas
transdisciplinares para recriação do bem-estar, desenvolvimento, crescimento e
progresso que fazem da natureza uma parceira e dessa forma buscam a recuperação
e a qualidade de vida dos eco’s.
Neste
conglomerado de medidas ecoeconômicas, o ecogerenciamento expõe variedades
técnicas como a ecocontabilidade, o ecobalanço, e ecoauditoria. Isso provocou a
ampliação de métodos e sistemas no primeiro mundo, objetivando alcançar uma
ecoadministração ecoeficiente, com ecotecnologia, que gerasse econegócios para
ecomercados que produzem ecoprodutos certificados por ecorótulos (os sucessivos
“eco” querem provocar altos ecos nos âmbitos acadêmicos, sociais e empresariais).
O
ecobalanço promove o inventário do meio ambiente analisando os impactos e através
dele formula o planejamento dos estoques de recursos naturais. Assegura desta
forma capital futuro através de investimentos verdes.
A
variedade técnica do ecobalanço é usual no setor de empreendimentos florestais
em alguns países do primeiro mundo, onde se pratica o manejo florestal
sustentável, que em suas nuanças se adapta às necessidades regionais de cada
país.
O manejo florestal sustentável engaja-se ao
desenvolvimento social regional, uma vez que promove treinamento adequado,
educação básica e ambiental, e construção de infra-estrutura em muitas regiões,
que comumente é praticado por empresas
de papel e celulose (praticantes de manejo sustentável nas florestas plantadas,
desenvolvidas pelas técnicas de silvicultura intensiva ou agrosilvopastoril).
Outro exemplo é o caso da madeireira Precious Wood -praticante pioneira- no manejo florestal sustentável de florestas
nativas, do setor madeireiro de nosso
país.
A
sustentabilidade dos manejos são relativos de país para país, como de região
para região no mesmo país (caso do Brasil), já que os próprios fatores
regionais (fitogeografia, biotipologia, topografia, geoecologia, aspectos
sociais etc.) são os indicadores para que haja adequação dos métodos, processos
e sistemas de manejo sustentável de floresta a serem utilizados, lembrando que
habitualmente estão engajados no desenvolvimento social local.
O
manejo florestal sustentável é estudo do megaprojeto FLORAM, que difunde um
megareflorestamento, e também devolve um desenvolvimento sócio-econômico para o
Brasil. Como tantos outros projetos, o FLORAM enfrenta problemas de origem
política para sua implantação, porém se faz urgente priorizar as necessidades
das comunidades, assim como das atividades do setor florestal, que encontram-se
interligadas nas regiões onde estão instaladas as empresas deste segmento de
mercado.
A
visão do projeto FLORAM é macroeconômica, vai além do desenvolvimento
localizado promovido pelas empresas do setor florestal. O megaprojeto pesquisou minuciosamente as
regiões de nosso país, elaborando projetos específicos, de forma a expandir o
desenvolvimento social para todo o território nacional.
A
expansão macroeconômica (em nosso país) das florestas é muito vantajosa, pela
própria vocação de nossas terras (vocação florestal reconhecida
internacionalmente), lembrando que um megareflorestamento é um importante
contribuinte para o seqüestro do
excesso de CO2 da atmosfera, diminuindo
sensivelmente o efeito estufa.
Os
biomas são potenciais produtivos de riqueza e variedade intermináveis, portanto
se faz indispensável uma ecotecnologia e biotecnologia adequadas ao meio
ambiente, precisando ser reconhecido
pelos condutores das políticas para se alcançar um desenvolvimento realmente
sustentável das florestas, pois sem evolução biológica não há diversidade.
As
instituições e empresas dos setores de celulose, papel e madeira, têm sido
taxativas quanto à prioridade de se iniciar reflorestamento imediatamente pelos
seguintes motivos: 1) das instituições, o desenvolvimento social expandido e o sequestro
do excesso de gás carbônico, entre outros motivos pró-ambientais; 2) das
empresas de empreendimentos florestais, além do sequestro de CO2 e
desenvolvimento social, a atitude de criar disponibilidade de recursos
florestais futuros, tanto para atender à demanda interna, como de se tornarem
nos próximos sete anos, exportadores garantidos de produtos certificados.
Neste
intuito, os setores de empreendimentos florestais não têm medido esforços na
busca de financiamentos e incentivos fiscais, inclusive para pequenos e médios produtores, para realização da vocação
natural da atividade florestal em nosso país.
Há
muitos motivos para que se expandam as atividades florestais, tanto florestas
nativas como florestas plantadas, já que ambas exercem papéis importantes no
equilíbrio das condicionantes ambientais, como: função de elemento de
fixação no solo das precipitações
pluviométricas, função estabilizadora de solos degradados, função de elementos
construtivos na melhoria da qualidade dos recursos hídricos, função geradora de
inúmeras matérias-primas, produtos celulósicos, papeleiros, madeiráveis,
farmacológicos e o não-visível e imprescindível função de resgate e fixação do excesso de gás carbônico. Os
biomas têm funções perfeitas e são os maiores transformadores de energia solar.
O
megareflorestamento têm programas para pequenos e médios proprietários rurais,
trazendo a médios e longos prazos uma baixa sensível nos custos de produção
agrícola, através de menores gastos com conservação do solo ao mesmo tempo em
que combate as pragas e doenças, diminui as compras de materiais para cercas e
construções, reduz o consumo energético, além de oferecer alternativas
produtivas, como: apicultura, cultivo de cogumelos, exploração de resinas e
óleos essenciais, exploração de plantas medicinais, aromáticas e ornamentais.
As
florestas também oferecem uma variedade de outros benefícios, tais como: sombras
protetoras aos gados, o bloqueio dos ventos a fim de proteger plantações e
casas, redução do assoreamento dos rios e lagos, sem contar os valores
estéticos paisagísticos e a frescura dos ares.
Observamos
que os ecossistemas natural e humano são interligados e interdependentes de
alta complexidade. Logo, se as florestas forem geridas ecologicamente, sem
dúvida, devolverão bem-estar gradativo.
A
economia ecológica é a quarta onda econômica que contribuirá para a realização
deste bem-estar, conciliando o desenvolvimento, crescimento e progresso, de
forma sustentável.
Um
dos rumos indicados pela economia ecológica é a imprescindível difusão da
educação ambiental, base fundamental do novo processo sócio-político-econômico
sustentável. Isso proporcionará a médios e longos prazos o lugar do pensamento
ecológico nas fábricas, nos supermercados, nas fazendas, na exploração e
empreendimentos florestais, na exploração mineral etc. Só assim estará
garantindo a sobrevivência de uma das mais caras espécies do Planeta Terra: o homem.
Para
assegurar um futuro sustentável, existem instrumentos e políticas para criação
de uma sociedade estável, como: Série ISO 14000-gestão ambiental, Agenda 21,
princípios e critérios para manejo florestal sustentável, que promovem
regulamento e certificação de produtos e processos econômicos (para citar
alguns).
A
utilização de tais mecanismos sustentáveis unidos à expansão do setor de empreendimentos
florestais dinamizará de forma revigorante a economia interna, pois estará
gerando inúmeras oportunidades de empregos e consequentemente gerará renda,
criando economicidade.
Para
agilizar o retorno seguro da economicidade global, a economia ecológica pesquisa, sinaliza impactos, indica
métodos, desenvolve modelos econométricos, valoriza os custos ecológicos
(aproximando de uma grandeza imensurável), aponta soluções econômica e
ecologicamente viáveis, estimando capital futuro e demonstrando limites
ambientais a sustentabilidade da atividade, através de modelos como o
versátil STELLA[1].
É
claro que o compromisso e responsabilidade na implantação e no cumprimento dos
mecanismos existentes, proporcionarão competição com o mercado externo, que tem
se tornado cada vez mais exigente quanto à origem e qualidade das
matérias-primas e produtos.
É
preciso compreender que não podemos extinguir o meio (as florestas), pelo qual
criamos desenvolvimento e progresso para um equilíbrio (ao menos parcial) dos
eco’s do Planeta Terra.
Na
busca deste equilíbrio parcial, diria que a economia ecológica é a economia
inteligente, já que delimita a ação do homem no uso dos recursos naturais,
garantindo condições para as gerações futuras. Tal futuro, em prol de uma
sociedade estável, que estará assegurada apenas na interação dos sistemas
humanos e natural, pela própria interligação e interdependência.
Diria,
também, que a economia ressuscitou. Desta vez ecológica.
[1] STELLA-modelo
versátil de economia ecológica (análise através de sistema dinâmico).
Simplificadamente é um modelo econômico pelo qual se obtém informações piores
ou melhores sobre os impactos ambientais para o segmento analisado.
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Texto citado sobre ECONOMIA ECOLÓGICA.






















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